Um roteiro pelo Porto, visto através dos seus objectos

Iniciativa municipal "O objecto e os seus discursos" arranca este sábado nos Paços do Concelho. A cada semana, uma peça inspirará um debate, em vários locais da cidade.

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O Espartilho inspirará a conversa entre Maria Gambina e Augusto Santos Silva, a 5 de Abril, no Museu Romântico DR
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O Livro Grande da Câmara do Porto (1447-1453) é o objecto que fechará este primeiro ciclo de conversas, a 13 de Dezembro DR
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Moedas antigas inspirarão a conversa sobre POrtugal, os mercados e o mundo financeiro, a 15 de Novembro DR
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A Fábrica do Corpo Humano, livro de anatomia de 1543, de Vesalius, vai estar em debate a 13 de Setembro DR

A Câmara do Porto inicia esta semana uma iniciativa que pretende pôr a cidade a reflectir sobre si própria, sobre o país e o mundo a partir de objectos. A escolha das peças, algumas delas muito pouco óbvias, vai originar, aos sábados, um debate sobre temas como a relação da cidade com o vinho – obviamente – ou sobre a intemporalidade do amor, a partir de cartas trocadas entre dois jovens no século XVIII.

Chama-se "O Objecto e os seus dircursos". O debate acontece aos sábados, e a peça de cada semana vai poder ser vista, em destaque, a partir da terça-feira anterior. Mas para provocar a reflexão, o vereador da Cultura Paulo Cunha e Silva quer pôr-nos esta semana a olhar não para um “objecto”, mas para todo um lugar, objecto da nossa percepção: a cidade que a vista alcança a partir do terraço dos paços do concelho. Para a discussão, "in loco", estão convidados o “dono” da casa, Rui Moreira, e o historiador Hélder Pacheco. Seguem-se então objectos propriamente ditos e encontros marcados, sábado a sábado, para vários edifícios e espaços públicos da cidade.

Logo a 29 de Março, por exemplo, vamos poder olhar de perto para o “único manuscrito conhecido e cópia coeva do roteiro da viagem de Vasco da Gama à India, em 1497”, na Biblioteca Pública Municipal. “A partir deste documento singular, propomos uma conversa sobre a história da expansão e as novas modalidades de viagem”, explica a autarquia, que convidou Amândio Barros, especialista em história marítima da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e outro académico, investigador nas áreas da cibercultura e comunicação, Bragança de Miranda, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa.

“Este projecto, além de dotar a cidade com um mapa de conteúdos culturais e discussões associadas, fornece também um calendário que convoca, semanalmente, o público para um novo encontro na cidade”, explica Paulo Cunha e Silva num texto sobre esta iniciativa. O roteiro é extenso. Poderemos passar pelo Museu do Vinho do Porto, para conversar à volta de um porto vintage de 1815 – o primeiro que, de forma fiável, foi reconhecido como tal – com Manuel Cabral e George Sandeman, a 17 de Maio. Mas também poderemos passear para o Jardim das Virtudes, e reflectir em torno de um Gingko biloba, árvore oriental ligada à longevidade e de grande importância para a medicina tradicional chinesa, guiados pelo escritor Mário Cláudio e pela arquitecta paisagista Teresa Andresen (a 26 de Julho).

Olhando apenas para o programa das próximas semanas, teremos a 12 de Abril na Casa do Infante a tal conversa inspirada nas cartas de amor trocadas em 1797 entre dois jovens portuenses: Vítor da Transfiguração e Ana Cândida. “Mas quem são estes dois jovens? Serão as palavras intemporais quando se fala de amor?”, questiona a organização, convidando, para dar algumas respostas, o poeta Daniel Jonas e Zé Pedro, dos Xutos e Pontapés. Uma semana antes, no dia 5, no salão de baile do Museu Romântico a conversa andará em torno do corpo, do design e da sexualidade, com Maria Gambina e o sociólogo Augusto Santos Silva. O objecto será, neste caso, um espartilho.

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