Prova dos factos: a Câmara de Santa Maria da Feira já está a implementar a via verde para empresários?

Captar investimentos, ampliar fábricas, visitar mercado externo, para contratar mais gente. Emídio Sousa, presidente da Câmara da Feira eleito pelo PSD, prometeu máxima atenção ao desenvolvimento económico. Quer baixar taxa de desemprego em quatro por cento em dois anos

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Neste momento, um processo poderá demorar um mês no Urbanismo Manuel Roberto

Nos últimos anos, o concelho de Santa Maria da Feira, o mais populoso (cerca de 139 mil habitantes) e o mais industrializado do distrito de Aveiro (que alberga o maior pólo mundial de transformação da cortiça), decidiu voltar a olhar para o desenvolvimento económico dentro das suas fronteiras como o motor que poderá dar um novo fôlego ao território. Nas últimas eleições autárquicas, o candidato do PSD Emídio Sousa, vice-presidente da câmara no mandato anterior, prometeu criar uma via verde para empresários. Tomou posse a 19 de Outubro e tratou de colocar a ideia em prática.

“Neste momento, qualquer empresário que queira investir ou ampliar as suas instalações tem acesso directo à presidência”, refere. O autarca garante que arranja sempre tempo na agenda para receber qualquer empresário instalado ou que se queira radicar no município. Incumbiu um adjunto só para tratar destes assuntos, de forma articulada com o sector do Urbanismo, para acelerar processos e facilitar procedimentos.

O regulamento de taxas sofreu alterações. O alvará tem de ser pago, mas os processos de legalização estão isentos de taxas urbanísticas. Na instalação de novas empresas, são concedidos benefícios fiscais. Isenções que podem significar poupanças na ordem dos 50 mil euros.

Em quatro meses e meio, Emídio Sousa recebeu cerca de 50 empresários, a maioria do concelho. O seu desejo é tentar emagrecer em quatro por cento a taxa de desemprego do seu território - que actualmente ronda os 14 por cento -, num período de dois anos. “Serão menos duas mil pessoas que teremos de ajudar em várias componentes da acção social”, prevê.

A lógica não tem qualquer segredo. Os empresários que querem investir procuram mercados, ao terem clientes precisam de produzir, para fabricarem necessitam de trabalhadores. E a câmara facilita no que é da sua competência. “A economia é uma questão de confiança e tenho a certeza, até porque tenho provas disso, que os trabalhadores portugueses são bons. No estrangeiro, o conceito de trabalhador português é o melhor do mundo. Se os portugueses são os melhores fora da terra por que não hão-de ser os melhores na sua terra?”.

A promessa não mereceu grande contestação política. Mas quando agora lhe pedem contas, quando lhe solicitam números, o presidente da Câmara da Feira responde com alguns pedidos de instalação de novas empresas, solicitações de ampliações de unidades fabris, sobretudo no sector do calçado, e mais reuniões. “Fico muito contente quando um empresário do concelho quer construir ou a ampliar as instalações. Estamos, neste momento, com perspectivas de muitos investimentos na área industrial”, adianta.

A via verde para empresários não surge por acaso. Tem raízes. A internacionalização das empresas feirenses é um objectivo que vinha a ser trabalhado no mandato anterior através de missões empresariais no mercado externo. “Hoje a internacionalização é condição quase de vida ou de morte para as empresas”. Como vice-presidente, Emídio Sousa apostou em missões empresariais a Moçambique, Marrocos, França e Venezuela. Como presidente, esteve no mês passado na Suíça com quatro empresas feirenses do sector do calçado e marroquinaria. E já há resultados. “Essas empresas receberam 13 contactos do exterior, oito já pediram catálogos, e há três ou quatro distribuidores em perspectiva”. Nessas visitas empresariais, a câmara agiliza contactos, programa encontros, mas não paga qualquer despesa aos empresários. Nem viagens, nem estadias. “Quem vai já está a investir, já está a gastar dinheiro. Mesmo quando não fazem negócios, ficam com a perspectiva do que são as dificuldades, do que têm de fazer, onde está a concorrência”.  

A crítica da oposição tem residido sobretudo na forma como se dinamizam as mais de 50 zonas industriais espalhadas pelo território feirense. Falta de infra-estruturas, passeios em mau estado, acessos pouco dignos. “Hoje temos, de facto, fábricas no meio urbano, meio urbano que entrou pelas fábricas. Temos de nos adaptar e tentar melhorar no que nos é possível”, reage o autarca, lembrando que os espaços industriais foram sendo criados mediante as condições que existiam em cada época. “O que é fundamental, no tecido económico, é que as empresas tenham condições para andar, para trabalhar. O que as empresas precisam é que as deixem trabalhar. E, neste momento, a câmara ajuda-as no que são as suas competências, nesta procura de mercados que é fundamental”. “Abrimos as portas, mostramos interlocutores, a partir daqui se quiserem caminhar, caminham”, conclui. 

A 31 de Março, no Europarque, o autarca apresenta mais um complemento à via verde para empresários. Com o primeiro-ministro esperado na plateia, Emídio Sousa explicará que Feirenses no Mundo será o nome de uma plataforma de negócios gerida pelo município. O objectivo é convidar empresários feirenses a inscreverem-se para potenciar contactos e negócios através da diáspora feirense. “Em França, existem 55 mil empresas portuguesas. Na Suíça temos 300 mil portugueses, desses se calhar 10 por cento são da Feira”. O factor crise e austeridade não assustam, nem demovem o autarca social-democrata. “Os nossos empresários já perceberam que, neste contexto de crise, têm grandes potencialidades e que são capazes. Muitos estavam acomodados ao mercado interno, mas já perceberam que para sobreviver têm de abrir horizontes”.

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