TOJOSAN/FLICKR
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Megafone

É quase isso: olha o robô!

Em 2029, os robôs poderão ser capazes de nos igualar (ou superar) numa série de capacidades. Até nas de Jorge Jesus ou de vários economistas. À partida, será extremamente divertido. Mas poderá ter os seus perigos

Segundo o PÚBLICO, Ray Kurzweil, director de engenharia da Google, afirmou que “por volta de 2029, os computadores serão capazes de compreender a nossa linguagem, aprender pela experiência, partilhar piadas, contar histórias, manter uma conversa e até seduzir”. O especialista vi mais longe: “(…) Podem desenvolver capacidades ao nível das pessoas mais inteligentes ou até suplantar os seus criadores”.

Este senhor é credível, porque já tinha antecipado, a expansão da Internet e a capacidade de um computador vencer uma partida de xadrez a um campeão desta modalidade. Ou seja, este senhor é uma mistura de Marcelo Rebelo de Sousa com Marques Mendes: sabe tudo o que vai acontecer, em parte, também porque tem influência nos processos que antevê.

“Compreender a nossa linguagem.” Os robôs irão suplantar Jorge Jesus. “Aprender pela experiência.” Suplantarão todos os economistas do mundo. “Partilhar piadas.” Suplantar-me, uma vez que não tenho muita piada. Mais: farão piadas sobre carecas, só para se vingarem de mim, que estou a fazer piadas sobre robôs. “Manter uma conversa e seduzir.”

Esta espécie de composição do robô ideal faz-me lembrar de uma prática comum entre os rapazes, na sua adolescência, que consiste em compor a mulher perfeita (“a cara da x, as mamas da y, o rabo da z”), e que termina quando, com uma preciosa ajuda da maturidade, se conclui que essa miúda poderia ficar mais parecia com o Frankenstein do que com a Scarlett Johansson.

Muito bem, os robôs vão ser espectaculares e fazer tudo o que lhes mandam. Assim, por alto, lembro-me logo de uma utilidade: ir às juventudes partidárias, deixar os que pensam (eu sei, estou a ser optimista…) e trocar os fantoches por robôs. Fazer o mesmo com os comentadores televisivos (lá estou eu, outra vez a ser optimista). Claro que alguns ficarão tristes, porque a sua parte preferida de ser um fantoche é alguém introduzir a mão no seu rabo. Quanto a isso, fiquem descansados: só serão privados de o fazer durante o exercício de cargos públicos ou na comunicação social, OK?

Já que falamos neste tema: muitos estarão a pensar que poderemos fazer robôs que terão excelentes aptidões sexuais e que fingirão, na perfeição, que estão a gostar. “Mas isso não os torna diferente de algumas mulheres”, dirão alguns. A esses, deixo duas mensagens: primeiro, façam o favor de não invadir o meu processo de escrita; segundo… as mulheres fingem??????????????????????????

Se misturarem um computador com uma “Bimby” e instalarem este conjunto numa boneca insuflável, não terão o robô que simula a mulher perfeita. Nem que lhe juntem “a cara da x, as mamas da y, o rabo da z”. Terão uma companheira mais previsível que um episódio do CSI, mais aborrecida que um discurso de António José Seguro e menos estimulante que uma partida de FIFA14 em modo “Tão fácil que até és campeão com o Paços de Ferreira”.

Eu sei que há muito "nerd" que se apaixonou pelo computador (desculpem, eles dizem "máquina") ou pela sua consola. Mas, até para estes, tenho um momento digno de Cristina Ferreira (sem a histeria), Manuel Luís Goucha (sem o casaco), Fátima Lopes (sem as lágrimas) ou "Frase do Facebook" (sem o pôr-do-sol): prefiram o humano e imprevisível!

Se vamos criar robôs que façam tudo, vamos tornar-nos irrelevantes e ficar apenas a existir. E esse papel é brilhantemente desempenhado por muitas pessoas, na nossa sociedade. Algumas até são eleitas para esse efeito.

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