Morreu a contista cabo-verdiana Orlanda Amarílis (1924-2014)

A autora de Cais do Sodré Té Salamansa, obra renovadora da ficção cabo-verdiana, vivia em Lisboa desde os anos cinquenta

A escritora cabo-verdiana Orlanda Amarílis, autora de "Cais do Sodré Té Salamansa" e considerada a “renovadora do conto” no arquipélago, morreu no sábado em Lisboa, aos 89 anos. Mulher do escritor e ensaísta Manuel Ferreira (1917-1994), grande estudioso e divulgador das literaturas africanas de expressão portuguesa, Orlanda Amarílis nasceu em 1924, na Assomada, Santa Catarina, ilha de Santiago, e destacou-se sobretudo como contista e autora de livros para crianças. A viver em Portugal desde meados dos anos 1950, após uma estada em Angola, pertenceu ao movimento literário Certeza (1944), revista que, depois de Claridade, marcou um momento significativo na vida cultural cabo-verdiana. A escritora estreou-se com Cais de Sodré Té Salamansa (1974), tendo ainda publicado mais dois livros de contos –  Ilhéu dos Pássaros (1983) e A Casa dos Mastros (1989) –, traduzidos para várias línguas e apreciados, em Portugal, por críticos como Jacinto do Prado Coelho, Duarte Faria ou Pires Laranjeira. Na literatura para crianças, iniciou-se com um livro em co-autoria com Maria Alberta Menéres, Folha a Folha (1987), e escreveu ainda Facécias e Peripécias (1990) e A Tartaruguinha (1997).Filha do autor do primeiro dicionário crioulo-português, Napoleão Fernandes, Orlanda Amarílis pertenceu a uma geração de mulheres que ajudou a modernizar a ficção cabo-verdiana, abrindo as portas a nomes como Maria Margarida Mascarenhas, Dina Salústio ou Fátima Bettencourt.  O funeral da escritora realiza-se esta segunda-feira em Lisboa, o seu corpo será cremado e, conforme o seu desejo, as cinzas serão colocadas no jazigo da família.