Amélia Muge prepara disco só com versos de Amália Rodrigues

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A cantora e compositora portuguesa Amélia Muge está a preparar, para ser publicado até ao final de 2014, um disco só com canções baseadas em versos de Amália Rodrigues, anunciou oficialmente em comunicado a agência de Amélia, a Uguru.

Este trabalho, diz o comunicado, “é uma ideia original de Manuela de Freitas que Amélia com entusiasmo resolveu desenvolver homenageando, desta forma, para lá de Amália, o fado e os fadistas, mundo de que se tem vindo a aproximar a convite de muitos deles, que cantam temas de sua autoria. Encontrou nesta ligação com Amália a forma mais Ameliana de o fazer.”

Os arranjos estarão a cargo de José Mário Branco, que dividirá a direcção musical com António José Martins. A criação dos temas originais para os versos de Amália está a cargo da própria Amélia, do cantor e compositor grego Michales Loukovikas (parceiro de Amélia Muge no disco Periplus, lançado no início de 2012) e de José Mário Branco.

Amélia Muge, diz ainda o comunicado, “trará a estes versos toda a diversidade musical em que tem vindo a espraiar o seu trabalho artístico, mostrando uma Amália a que ninguém está habituado, embora ela tenha sido uma brilhante precursora da ligação do fado com a sonoridade musical de outras culturas”.

Os versos de Amália Rodrigues foram publicados ainda em vida da cantora, em 1997, numa edição da Colibri, por insistência do seu biógrafo Vítor Pavão dos Santos. O livro, com 128 páginas, inclui não apenas os poemas escritos e gravados pela própria Amália (num total de 29, entre os quais Estranha forma de vida, Lavava no rio lavava, Lágrima, Grito, Trago fado nos sentidos, Gostava de ser quem era) mas também muitos outros que escreveu e não gravou, num total de 48. Isto além de três cartas em forma de poema: a Vitorino Nemésio, a Amélia Rey Colaço e à "irmã Détinha".

<_o3a_p>Amélia Muge surgiu no panorama musical português em 1992 com o disco Múgica, que os críticos não hesitaram em colocar entre os melhores discos portugueses do ano, na melhor tradição dos caminhos abertos na música popular portuguesa por José Afonso. Seguiram-se-lhe Todos os Dias (1994), Taco a taco (1998, distinguido com o prémio José Afonso), A Monte (2002), Não Sou Daqui (2007) e Uma Autora, 202 Canções (2009). Isto além de projectos em parceria, como Maio Maduro Maio (1995, uma homenagem à obra de José Afonso, com João Afonso e José Mário Branco) ou Periplus (2012), obra pioneira no cruzamento das músicas portuguesa e grega, com Michales Loukovikas.

No campo do fado, Amélia Muge tem escrito originais para fadistas como Mísia, Ana Moura, Cristina Branco, Pedro Moutinho e Mafalda Arnauth, entre outros. Camané trouxe para o fado um dos seus primeiros temas, Quem, à janela.