Morreu a compositora e pianista cabo-verdiana Tututa Évora

Autora de algumas das mais importantes composições em Cabo Verde, morreu no domingo, em Espargos, aos 95 anos.

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"Dona Tututa"

A compositora e pianista cabo-verdiana Tututa Évora morreu no domingo em Espargos, na ilha do Sal, aos 95 anos, vítima de um enfarte do miocárdio.

Epifania de Freitas Silva Ramos Évora, tratada em Cabo Verde por "Dona Tututa", nasceu no Mindelo (São Vicente), cidade onde despontou como pianista e foi igualmente professora de piano, sendo autora de temas como Grito de dor, Sentimento, Mãe tigre ou Vida torturod.

"Quando estou agarrada ao piano, parece que estou no céu, lugar onde nunca estive", afirmou, entre risos, a mulher que se encontrava internada há vários dias no hospital do Sal, devido a uma pneumonia. O funeral realiza-se esta segunda-feira à tarde.

O Presidente e o primeiro-ministro de Cabo Verde, respectivamente Jorge Carlos Fonseca e José Maria Neves, em comunicados separados, reagiram à morte de "Tututa", considerando que "morreu a mulher, mas ficou a lenda", e que a pianista era uma mulher "muito à frente do seu tempo".

José Maria Neves considerou que a vida e a obra de "Tututa" são "motivo de orgulho" para todos os cabo-verdianos e destacou a "exímia pianista" que será "sempre" uma "inspiração para todas as mulheres" no país.

"Dona Tututa foi uma mulher muito à frente do seu tempo, conciliando a vida de esposa e de mãe com a sua paixão pela música, e desafiou convenções, sagrando-se como um dos nomes míticos das noites de serenata e tocatinas mindelenses, um mundo então reservado apenas aos homens", salientou o chefe do Governo.

Mãe de 14 filhos, entre os quais um parto trigémeo, "Tututa", além do talento reconhecido como compositora, é também conhecida pela melancolia das suas letras e elogiada pelo "swing da mão esquerda", que fez escola na interpretação ao piano na música popular de Cabo Verde.

A pianista foi dada a conhecer ao mundo através de um retrato fílmico sobre a sua vida, do realizador português João Alves da Veiga, descendente de cabo-verdianos, e lançado no dia em que Tututa Évora completou 94 anos.

Reconhecida como "figura lendária" em Cabo Verde, mas praticamente desconhecida fora dele, "Dona Tututa" foi homenageada ainda em vida, ao ver o seu nome atribuído à Escola Municipal de Artes do Sal.