Hospital do Texas quer manter viva mulher grávida com morte cerebral

Máquinas mantêm Marlise Muñoz viva num hospital do Texas há quase dois meses. Tribunal ordenou retirar equipamento de suporte de vida, mas hospital não quer interromper desenvolvimento de feto.

O casal tinha já um filho de 15 meses
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O casal tinha já um filho de 15 meses DR

Um tribunal no Texas, Estados Unidos, ordenou nesta sexta-feira a retirada das máquinas que suportam a vida de Marlise Muñoz, mas o hospital recusa-se a fazê-lo por ela estar grávida. A mulher de 33 anos foi para o hospital a 26 de Novembro de 2013, depois de ter sido encontrada inconsciente no ch��o da cozinha pelo seu marido, devido, julga-se, a um trombo, que trava a circulação sanguínea.

No Hospital John Peter Smith (JPS), em Fort Worth (a quinta maior cidade do estado do Texas), acabou por se concluir que a mulher estava cerebralmente morta. Erick Muñoz, marido de Marlise Muñoz, alega que quando falava com a mulher sobre situações como esta, ambos diziam não quererem ser mantidos vivos artificialmente.

O marido e os pais de Marlise Muñoz querem que os médicos desliguem as máquinas, e foram a tribunal apresentar o pedido. O juiz R. H. Wallace Jr. ordenou nesta sexta-feira ao hospital que desligasse as máquinas até às 17h de segunda-feira.

“Marlise Muñoz está morta, e deu instruções claras ao seu marido e à sua família — Marlise não deveria permanecer em qualquer tipo de ‘sistema de suporte de vida’ artificial, como ventiladores ou algo semelhante”, lê-se na acção judicial, citada pela AP. “Não há razão para se permitir que o [hospital] JPS mantenha os tratamentos no corpo morto de Marlise Muñoz, e este tribunal ordena que se descontinuem imediatamente esses tratamentos.”

Quando caiu no chão da cozinha, Marlise Munoz estava grávida de 14 semanas. Hoje, o feto já se desenvolveu até às 22 semanas (uma gestação humana normal dura cerca de 39 semanas). Segundo os advogados de Erick Muñoz, o feto é “distintivamente anormal”, tendo em conta as análises médicas feitas pelo hospital.

Mas a instituição discorda da ordenação judicial e baseia o seu juízo numa lei estadual que torna ilegal retirar o suporte de vida a mulheres grávidas. No entanto, advogados ouvidos pela AP consideram que está a haver uma interpretação incorrecta daquela lei e que esta não se aplica a mulheres que estão cerebralmente mortas.

Stephen Broden, um activista pró-vida, disse à Euronews que ninguém está a defender o direito da criança: “Acreditamos que não tem havido ninguém do lado de lá que esteja a representar os interesses da criança. Há famílias […] dispostas a ficarem com a criança, independentemente do seu estado”.