Editorial

Silêncio que se vai cantar o rock

O que costuma ser regra nos concertos de música clássica ou nas casas de fado (é antiga a célebre frase “silêncio que se vai cantar o fado”) começa, ao que parece, a contagiar áreas onde esse pedido não costuma existir: a pop e o rock. A razão não se prende tanto com o tipo de música (parece absurdo exigir ‘silêncio’ num concerto de heavy metal) mas sim com a constante interferência de telemóveis ou tablets. Há quem passe todo o tempo que dura um concerto a gravá-lo, em lugar de assistir ou participar. É o mesmo que visitar um museu e, em lugar de admirar os quadros, fotografá-los e filmá-los. Num e noutro caso, é um “filtro” acessório que se interpõe entre a arte e quem é suposto desfrutar dela. Seja para uma música, a maioria das vezes com qualidade deplorável, no Youtube, seja para “ver” depois o museu em casa, num ecrã pequeno. Afinal, os músicos não pedem muito: apenas um pouco de atenção.

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