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O que vai ficar mais caro em 2014

Embora não tão drásticas como em 2012, as nossas despesas vão aumentar em áreas como a Internet, bebidas, rendas e transportes

Portugal tem o terceiro poder de compra mais baixo da zona euro, apontam dados do INE de Dezembro. Em 2014, o cenário não deve sofrer grandes alterações, numa altura em que o salário de muitos portugueses evolui no sentido inverso ao dos preços. O Orçamento do Estado (OE) para 2014 prevê uma taxa de inflação de 1%, embora se registem aumentos de preços superiores.

O chumbo do Tribunal Constitucional à convergência das pensões, que deixou um buraco de 338 milhões de euros no OE, também poderá vir a ter um efeito adverso no poder de compra dos portugueses, caso o Governo opte, por exemplo, por compensar a medida com uma subida do IVA. O aumento da factura da água ou do gás, assim como dos preços na restauração, não são dados adquiridos, mas dados como prováveis, tendo em conta a actual conjuntura. Vê abaixo os bens e serviços pelos quais vamos pagar mais em 2014. 

Telecomunicações e Internet 

Os aumentos deverão andar entre os 2% e os 2,5%, ou seja, superior à inflação prevista no OE. Zon Optimus e PT vão subir os tarifários para a rede móvel e para a rede fixa já em Janeiro, sendo que a Vodafone só o fará em Fevereiro. Os serviços Meo aumentam, em média, 2% e os restantes operadores 2,5%. Apenas os serviços onde estão incluídos voz, net fixa, comunicações móveis e TV não devem sofrer qualquer aumento.

Arrendamento

Em linha com a inflação prevista pelo Governo, as rendas irão ser actualizadas em 1%. Publicado em Setembro em Diário da República, este aumento é inferior ao registado em anos anteriores. A actualização das rendas poderá ser feita a partir de 1 de Janeiro, mas a escolha é do senhorio. Nos últimos dois anos, tendo em conta a conjuntura económica, muitos senhorios optaram por não o fazer.

Transportes públicos 

O preço dos transportes públicos vai subir 1% em 2014. O Governo está a fazer “apenas o ajustamento à inflação estimada para 2014”, disse o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, à Lusa. Em 2013, o preço dos transportes públicos registou um aumento de 0,9%, em 2012 subiu 5% e outros 5% em Agosto de 2011 (aumento extraordinário). Em Janeiro de 2011, o preço tinha já subido 4,5%, ainda com o executivo socialista.

Taxa do audiovisual

Em Outubro, a proposta no OE para o financiamento da RTP implicava um aumento de 40 cêntimos na contribuição mensal para o audiovisual, de 2,25 euros para 2,65 euros mais IVA cobrados na factura da electricidade. Tal representaria uma subida de 18%. Com o fim das indemnizações compensatórias, a taxa do audiovisual irá sofrer um aumento, apesar de a percentagem ainda poder ser alvo de ajustes.

Bebidas alcoólicas 

Tendo já sofrido um aumento de 7,5% em 2013, os impostos sobre as bebidas alcoólicas vão subir entre 1% a 5%. Por exemplo, a tributação das bebidas espirituosas (onde se enquadram, nomeadamente, a vodka ou o gin) vai subir 5%. Aguardentes vínicas e vinho do porto sofrerão um aumento de 4,9%, enquanto o aumento nas restantes bebidas alcoólicas oscilará entre os 0,93% e o 1%, dependendo do volume de álcool.

Cigarros, cigarrilhas e charutos 

O imposto sobre o tabaco vai aumentar dependendo da tipologia. Sobre o preço de venda de charutos e cigarrilhas vai incidir uma taxa de 25%, contra os 20% praticados actualmente. Nos cigarros, o elemento ad valorem passa de 20% para 17%, mas o elemento específico aumenta 10%. Quanto ao tabaco de enrolar, o elemento ad valorem mantém-se em 20% e a taxa do elemento específico sobe de 0,065 euros para 0,075 euros por grama.

Gás  

Ao contrário do que fez com a electricidade, a ERSE ainda não revelou se as tarifas do gás sofrerão alterações em Janeiro. Tal não deverá acontecer mas, os aumentos anuais são definidos pela entidade e o último aconteceu em Julho, quando a subida do preço da factura foi de 3,9%. Esta tarifa deve ser revista até meados de 2014, e na próxima revisão não é de excluir um novo agravamento do preço.

Restauração 

Não é certo o que vai acontecer ao preço da restauração. O IVA mantém-se nos 23%, o que pode levar os estabelecimentos a aumentar os preços. O director geral da AHRESP, José Manuel Esteves disse mesmo que “se os estabelecimentos não aumentarem os preços só têm um caminho, que é fechar”. O aumento dos custos de contexto levam o dirigente a considerar “natural” o aumento, apesar da crise que atravessa o sector.

Electricidade

A ERSE revelou este mês que a factura da electricidade dos consumidores domésticos sofreria uma subida de 2,8%. Segundo a ERSE, numa factura de 46,5 euros, o aumento é de 1,21 euros. Apesar de apenas aplicada aos clientes que se encontram na tarifa regulada, também os consumidores do mercado liberalizado deverão ver aplicada uma tarifa similar, pois a maioria dos operadores indexa os seus preços às tarifas transitórias.

Taxas moderadoras nos hospitais

A partir de 1 de Janeiro, as taxas moderadoras pagas pelo acesso aos cuidados de saúde hospitalares vão aumentar. Nos centros de saúde tal não acontece, por opção do Governo. Segundo os cálculos do "Jornal de Negócios", este aumento resulta da actualização anual à inflação, que deverá rondar os 0,6%. Desta forma, uma consulta de especialidade num hospital que custaria 7,75 euros passa a custar 7,80 euros.