Passos lamenta que jovens qualificados tenham de emigrar

Primeiro-ministro falava este domingo na entrega de prémios a associações juvenis

O primeiro-ministro disse que o país deposita esperança nesta geração de jovens tão qualificada e lamentou que esses jovens tenham de emigrar para se realizarem profissionalmente.

Passos Coelho falava este domingo numa cerimónia de entrega de prémios do Instituto de Juventude e Desporto a associações juvenis, no Palácio Foz, em Lisboa, onde evocou o 1º de Dezembro, apesar de já não ser feriado.

"Todos os portugueses têm sido convocados para este esforço imenso. Eu julgo que os jovens são, em qualquer caso, aqueles que podem dar maior profundidade a esta luta muito grande que estamos a travar para evitar que estas situações se voltem a repetir no futuro. E, realmente, nós temos hoje uma geração de jovens muito mais qualificados do que alguma vez tivemos na nossa história", afirmou.

O chefe do Executivo lamentou, no entanto, que os jovens tenham de sair do país para se realizarem profissionalmente. "Por isso nos dói tanto que, entre aqueles que hoje são mais desenvolvidos e evoluídos do ponto de vista do conhecimento que adquiriram em termos académicos, muitos deles tenham de escolher outras paragens para poderem aceder ou aos seus estágios ou à sua realização profissional", disse.

Para o primeiro-ministro, a qualificação dos mais jovens é uma arma para evitar futuras crises. "Tendo nós esta geração tão qualificada, objectivamente, depositamos nela uma grande esperança para que as transformações no tecido social e económico que precisamos de fazer possam ser mais transformações mais profundas do que aquelas que fizemos no passado. E, portanto, todo o investimento que foi feito em torno das políticas da juventude mais voltadas para as qualificações, para a educação serão críticas para superarmos de forma mais duradoura a crise que estamos a viver", concluiu.

Num discurso de cerca de 25 minutos, Passos Coelho defendeu ainda que o fim do endividamento deveria reunir um consenso político e que a ideia não deveria ser contrariada por razões ideológicas. "Quem continuar por razões ideológicas a alimentar uma dívida que asfixia os portugueses está a usar a ideologia para afastar as pessoas das verdadeiras escolhas que possam fazer no futuro", afirmou. "Mas se eliminarmos estes elementos do nosso debate ideológico teremos todas as escolhas que podemos fazer, desde logo como é que queremos orientar a nossa despesa. Há uns que querem gastar de uma neira, outros que querem gastar de outra. Mas é uma falsa questão querermos gastar o que não temos", acrescentou.