Presidente tem “grande apreço” pelas polícias e pede “serenidade”

Cavaco Silva foi informado da demissão do director nacional da PSP, mas não quer comentar o episódio da escadaria do Parlamento.

No protesto, Cavaco Silva foi acusado de ser "cúmplice deste Governo”
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Cavaco Silva Enric Vives-Rubio

O Presidente da República recusou esta sexta-feira comentar o que se passou nas escadarias do Parlamento durante a manifestação das forças de segurança de quinta-feira, mas diz ter “grande apreço” pelas forças policiais e pede “serenidade neste tempo difícil”.

“Sempre manifestei um grande apreço pelas nossas forças policiais, reconhecendo a sua capacidade para manter a ordem pública e garantir aos cidadãos a segurança das pessoas e bens. É isso que os portugueses esperam da nossa polícia”, defendeu o Presidente da República em declarações aos jornalistas no final de uma visita ao centro internacional da Nokia Solutions and Networks, em Alfragide (Amadora). Cavaco Silva fora questionado sobre se teme que a violência aumente devido às medidas de austeridade do Governo, tal como afirmou Mário Soares na quinta-feira à noite.

O chefe de Estado não quis comentar os incidentes de quinta-feira à noite em frente à Assembleia da República e muito menos por que razão as forças policiais que estavam a proteger o edifício actuaram de forma diferente com os manifestantes, deixando-os subir as escadas até à porta, e em ocasiões anteriores, como há um ano, usaram a força para impedir que o mesmo acontecesse.

O Presidente argumentou então que não tinha “ainda informação completa sobre o que aconteceu”. “Não farei qualquer declaração enquanto não falar com o Governo”, disse, pouco antes da hora de almoço.

Perante esta falta de informação, Cavaco disse que só podia apelar a que se “mantenha a serenidade neste tempo que não é fácil para Portugal, em que dependemos tanto, tanto dos credores que nos observam todos os dias”.

Mas à tarde, depois de conhecido o pedido de demissão do director nacional da PS, Cavaco Silva voltou a recusar comentar a manifestação, afirmando apenas, sobre a saída de Paulo Valente Gomes, que "a sorte do sr. director nacional da PSP é uma competência exclusiva do Governo". No final da visita que fez à OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal, o Presidente admitiu já ter falado com o executivo, mas recusou pronunciar-se sobre o assunto.