Grupo de ex-alunos está a requalificar o Bairro 2 de Maio
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Grupo de ex-alunos está a requalificar o Bairro 2 de Maio

Eles vão fazer "acupunctura urbana" no Bairro 2 de Maio

O projecto "2 de Maio todos os dias" vai reabilitar o bairro homónimo, na Ajuda. O "elevado estado de degradação" e o facto de o bairro estar "fechado sobre si" são alguns dos aspectos que a iniciativa pretende alterar

O bairro 2 de Maio, em Lisboa, está a ganhar outra vida. Reabilitar e dinamizar o bairro são algumas das metas do projecto “2 de Maio todos os dias”, promovido pela Junta Freguesia da Ajuda no âmbito do programa de parcerias locais Bairros e Zonas de Intervenção Prioritária de Lisboa (BIP/ZIP).

Batizado com o nome aquando as ocupações das casas da Fundação Salazar, em 2 de Maio de 1974, o bairro encontra-se num “elevado estado de degradação” e está “fechado sobre si”, aponta Gonçalo Folgado, ex-aluno da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa e membro da U:ICLC, o grupo de trabalho informal responsável pelo arranque do projecto. A trabalhar juntamente com Gonçalo estão os urbanistas João Martins e Rui Miranda. 

De acordo com dados dos Censos de 2011, o bairro tem um total de 1384 residentes, 57% destes situados entre os 20 e os 64 anos, e 20% com 65 ou mais. Ao nível do emprego, a realidade do bairro 2 de Maio não é animadora. Apenas 396 (29%) residentes estão empregados. Cerca de 103 pessoas estão desempregadas e à procura de emprego, ainda que 616 (45%) não tenham qualquer actividade económica.

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Bairro encontra-se num elevado estado de degradação

 

Urbanismo de proximidade 

O projecto de “urbanismo de proximidade” conta com um financiamento de 49.400 euros por parte do programa BIP/ZIP, da Câmara Municipal de Lisboa, para intervenções nas mais diversas áreas. O antigo ATL será reabilitado e reconvertido na “Casa para Todos”, um espaço que servirá como “ponto dinamizador de abertura para o mundo“ e onde os moradores vão poder frequentar "workshops" de empreendedorismo e agricultura.

Os espaços físicos do bairro também serão alvo de “reabilitações de acupunctura urbana” e “acções de dinamização”, numa iniciativa em que os alunos e docentes da Faculdade de Arquitectura vão participar, mas que está aberta a inscrições como voluntários do projecto. Por "acupunctura urbana" os arquitectos urbanistas entendem uma acção de reabilitação em pequena escala, ou seja, intervir num ponto específico para ter efeitos globais. O largo do cantinho e as placas de sinaléctica dos lotes serão intervencionados, entre outras “micro-reabilitações” que o projecto vai realizar.

O “2 de Maio todos os dias” pretende ainda criar hortas urbanas onde os moradores possam aplicar os conhecimentos agrícolas adquiridos nos "workshops", assim como uma colónia de férias sénior no Alentejo e um cartão de morador.

Questionado sobre se o valor da verba atribuída é suficiente para dar uma nova vida ao bairro, Gonçalo Folgado diz ser “uma grande ajuda”. “Não é muito, mas é com este financiamento que temos de trabalhar. Dá para fazer muita coisa com pouco dinheiro”. Até porque o projecto conta com o apoio de diversas marcas e empresas de construção, o que lhes permite folgar um pouco o orçamento.

Embora os criadores do projecto queiram dinamizar a comunidade, ainda não conseguiram chegar “a algumas franjas do bairro”. No entanto, garantem que cada vez há mais envolvimento de moradores, principalmente depois do início das obras de requalificação da "Casa para Todos" e da "Festa do Vizinho", uma iniciativa que era típica do bairro, mas que deixou de se fazer.

O “2 de Maio todos os dias” é promovido pela Junta de Freguesia da Ajuda em parceria com a Associação de Moradores Bairro 2 de Maio, Associação de Actividades Sociais do Bairro 2 de Maio, Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa e o grupo informal de trabalho, U:ICLC.