Petrolíferas poderão ter manipulado preço do crude durante anos

Manipulação poderá ter contado com a cumplicidade do banco Morgan Stanley.

Economias emergentes com melhores resultados na criação de emprego, mas abaixo do desejado
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Economias emergentes com melhores resultados na criação de emprego, mas abaixo do desejado Stringer/ REUTERS

Algumas das maiores petrolíferas mundiais, entre as quais BP, Statoil e a Royal Dutch Shell, poderão ter manipulado os preços do Brent por mais de uma década, noticiou esta quarta-feira a Bloomberg.

De acordo com agência financeira Bloomberg, esta manipulação terá contado com a cumplicidade da Morgan Stanley e de ‘traders’ do setor energético como o grupo Vitol.

Esta informação é baseada nas acusações de quatro ‘traders’ do mercado petrolífero numa acção judicial em que alegam que os preços para a compra e venda do crude são decididos e que têm provas dessa manipulação durante mais de uma década.

O mercado de referência do Mar do Norte (Brent) é utilizado para fixar o preço de mais de metade do petróleo a nível mundial e ajuda a determinar os custos dos combustíveis, incluindo a gasolina.

O caso, que surge no seguimento de pelo menos seis outros processos nos Estados Unidos sobre a alegada fixação de preços no mercado do Brent, parece fornecer detalhes mais aproximados sobre a alegada manipulação e representa um roteiro para os reguladores investigarem o assunto.

Os ‘traders’ que apontam a existência de manipulação de preços, onde se inclui o antigo director do New York Mercantile Exchange (Nymex), uma das plataformas onde os contratos de futuros do crude de Brent são transaccionados, alegam que pagaram “preços artificiais e anticoncorrentes” pelos futuros de Brent.

Sublinham ainda a tentativa de manipulação de preços no que respeita ao petróleo russo dos Urais.

A Bloomberg adianta que representantes da Shell, Vitol, Morgan Stanley e BP escusaram-se a comentar esta acção judicial.

“Não é raro ver estas acções judiciais nos Estados Unidos depois de investigações de agências governamentais”, afirmou à Bloomberg Morten Eek, porta-voz da Statoil, num mensagem enviada por correio electrónico, onde se escusa a fazer mais comentários.