Mau tempo: Associação de técnicos pede prevenção e fala de incúria

Mau tempo destruiu estufas
Foto
Mau tempo destruiu estufas Adriano Miranda

A Associação de Técnicos de Segurança e Protecção Civil (ASPROCIVIL) alertou hoje para a necessidade de se tomarem medidas preventivas para se evitarem situações de cheias, e acusou as autoridades de “incúria”.

“Nada justifica isto a não ser a incúria”, disse à Lusa o presidente da ASPROCIVIL, Ricardo Ribeiro, no dia em que, na sequência de chuvas fortes, se registaram inundações em várias localidades do país, nomeadamente Lisboa, Figueira da Foz, Vila Verde e Almada.

A associação emitiu um comunicado no qual estranha que o Estado, Câmaras Municipais e proprietários em geral não tomem medidas básicas para condicionar as consequências do mau tempo

“Sabendo nós que tivemos um verão excepcionalmente alargado, obviamente se previa o amontoar de resíduos e sobrantes decorrentes do próprio verão, sendo por isso necessário proceder urgentemente à limpeza de valas, ribeiros, ribeiras, caleiras, redes de águas fluviais e outros, de forma a garantir o melhor escoamento das águas da chuva”, diz o comunicado.

Mas nada foi feito, diz Ricardo Ribeiro, que garante que a associação se vê na obrigação de todos os anos, nas primeiras chuvas, enviar um comunicado quase sempre igual.

“Não temos uma cultura de prevenção nem de planeamento, o ordenamento do território não é feito tendo em conta a tipologia de riscos”, diz, acrescentando que a chuva das últimas 24 horas foi “normal” e que teme que haja um dia uma situação extrema, para a qual o país não está preparado.

Por todo o país, adianta, há ausência de cartografia de risco, do cumprimento dos planos directores municipais, do respeito pelas linhas de água, e também não se alertam os proprietários para a necessidade de prevenção. “Há uma completa disfunção entre a cultura de prevenção e a realidade”, avisa.

E diz ainda que situações como as das últimas 24 horas vão continuar todos os anos, porque “enquanto não houver 30 ou 40 mortos ninguém faz nada”, lamenta.

A associação pede “atenção especial” para zonas consideradas de cheias e para ribeiras com características torrenciais, “onde a construção desordenada e/ou a impermeabilização dos solos podem potenciar desastres com consequências graves para as comunidades envolventes”.

A chuva da última noite provocou inundações nos concelhos de Almada, Seixal e Setúbal e várias estradas estiveram cortadas ao trânsito.

Só em Lisboa os bombeiros tiveram de atender duas centenas de pedidos, devido a inundações. A baixa da Figueira da Foz, na zona comercial, foi inundada.