Cavaco reitera que única relação que teve com o BPN foi a de depositante

Presidente da República assina declaração escrita em que reage às declarações de Mário Soares sobre a sua relação com o banco.

Cavaco Silva: “De mim nunca ouvirão afirmações como as que foram proferidas pelo Dr. Mário Soares”
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Cavaco Silva: “De mim nunca ouvirão afirmações como as que foram proferidas pelo dr. Mário Soares” Enric Vives-Rubio

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, reiterou nesta quinta-feira que a única relação que teve com o BPN ou as suas empresas foi enquanto depositante para aplicação de poupanças quando era professor universitário.

Numa declaração escrita do chefe de Estado enviada à agência Lusa a propósito das afirmações proferidas na quarta-feira por Mário Soares, o chefe de Estado sublinha que o antigo Presidente da República devia saber que a sua relação com o BPN já foi esclarecida “em devido tempo”.

“Devia saber que esclareci, em devido tempo, que nunca tive qualquer relação com o BPN ou com as suas empresas, a não ser a de depositante para aplicação de poupanças, quando era professor universitário. Esqueceu mesmo o esclarecimento que, pessoalmente, lhe foi prestado”, refere Cavaco Silva.

Na quarta-feira, o antigo Presidente da República Mário Soares questionou a razão por que o actual chefe de Estado não é julgado por causa do caso BPN, considerando que nenhum responsável respondeu perante a justiça.

Na declaração enviada à Lusa, Cavaco Silva sublinha: “[Mário Soares[ é uma personalidade a quem todos os portugueses devem estar reconhecidos pelo papel que desempenhou na consolidação da nossa democracia e no processo que conduziu à nossa adesão às Comunidades Europeias.”

“Trata-se, para além disso, de um antigo Presidente da República, que, apesar de ter cessado funções há muitos anos, deve continuar a merecer o nosso respeito”, acrescenta o actual chefe de Estado.

Prometendo tudo fazer para preservar a dignidade da instituição Presidência da República, Cavaco Silva assegura ainda que nunca proferirá afirmações semelhantes às de Mário Soares.

“Pela minha parte, tudo farei para preservar a dignidade devida à instituição Presidência da República. Por isso, de mim nunca ouvirão afirmações como as que foram proferidas pelo dr. Mário Soares”, refere.

Na terça-feira, falando a propósito das recentes declarações do Presidente angolano acerca do fim da parceria estratégica com Portugal e sobre a responsabilidade do ministro dos Negócios Estrangeiros, Mário Soares recuperou o caso do BPN, questionando as razões por que ninguém foi julgado.

“Nunca ninguém julgou, todos roubaram, mas nunca julgou, como é sabido. Por que é o Presidente da República não é julgado?”, questionou Soares, que falava aos jornalistas no final de um almoço na Associação 25 de Abril, numa iniciativa promovida pelo blogue Ânimo, integrada nas comemorações do 40.º aniversário da Revolução dos Cravos.

Interrogado sobre se entende que o actual chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, deveria ser julgado, Mário Soares respondeu apenas sobre a ausência de intervenção do Presidente da República.

“O Presidente da República deve intervir, se quiser ser Presidente da República; agora se ele quer chefe de um partido, é outra coisa”, disse, insistindo depois que Cavaco Silva “é chefe de um partido”.