Regresso a Setúbal foi “questão afectiva”, admite José Couceiro

Sucede a José Mota no comando do Vitória de Setúbal.

Couceiro troca o palanque pelo banco de suplentes. O verde e branco mantém-se, mas agora em Setúbal
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Couceiro troca o palanque pelo banco de suplentes. O verde e branco mantém-se, mas agora em Setúbal Miguel Manso

Um dia depois de chegar a acordo com José Mota para a rescisão do contrato que unia as partes, o Vitória de Setúbal anunciou José Couceiro como novo treinador da equipa.

O técnico foi apresentado no Estádio do Bonfim e já orientará o treino que a equipa cumpre na tarde desta terça-feira. A decisão de regressar a Setúbal foi “afectiva”, admitiu Couceiro.

“A questão afectiva foi determinante. Desde sempre que fui muito bem tratado aqui. Não estava à espera [do convite]. Sabemos que o Vitória vive um momento difícil, mas por isso mesmo é que o presidente conseguiu convencer-me”, começou por dizer José Couceiro, na apresentação oficial aos sócios.

O novo treinador do Vitória de Setúbal pediu união aos sócios. “Se as coisas não correrem como gostam, protestem. Estaremos cá para assumir as responsabilidades”, garantiu. “Estes meses até ao final da época vão ser complicados. Só unidos vamos conseguir vencer. Isto não é só uma troca de treinador, porque quem cá esteve deu tudo. Queremos que as coisas se invertam, que sejam melhores e tenhamos sucesso”, sublinhou.

“Já não há aquele respeito que havia quando se vem jogar ao Bonfim. E nós queremos que, quando se vem jogar ao Bonfim, se tenha respeito pelo Vitória. E se saiba que é complicado e difícil, porque na maior parte das vezes o Vitória vence”, resumiu José Couceiro. A estreia do novo técnico do Vitória de Setúbal será no sábado, dia em que os sadinos visitam o Portimonense numa partida relativa à Taça da Liga.

Para o presidente do Vitória de Setúbal, Fernando Oliveira, o perfil de Couceiro encaixa naquilo que o clube procurava. “Um bom filho à casa torna. É a primeira vez que contrato um treinador ouvindo dizer que vem para o Vitória por paixão. Por amor. Este homem esteve na Rússia e ganhava mais num mês do que no contrato todo que lhe ofereci”, apontou o dirigente.

De volta nove anos depois
José Couceiro já orientou o Vitória de Setúbal, no início da temporada 2004-05, depois de se ter estreado no Alverca. Mas o técnico deixou o Bonfim a meio da época para rumar ao FC Porto, onde substituiu o espanhol Victor Fernández. Mas a ligação de Couceiro aos “dragões” duraria apenas 17 jogos e não seria renovada em 2005-06, tendo a equipa ficado entregue ao holandês Co Adriaanse.

Depois disso, Couceiro desempenhou funções na estrutura da Federação Portuguesa de Futebol (selecções jovens) e em 2008 rumou à Lituânia, para orientar a equipa nacional do país báltico – que chegou a acumular com o cargo de treinador do Kaunas e, mais tarde, dos turcos do Gaziantepspor.

Em Dezembro de 2010 foi anunciado por José Eduardo Bettencourt como director-geral do futebol do Sporting. Mas, três meses depois, Couceiro regressaria ao trabalho de campo: com a queda de Paulo Sérgio, foi escolhido para treinador principal dos “leões”. Porém, com a eleição de Godinho Lopes, José Couceiro deixou a estrutura sportinguista, cedendo lugar a Domingos Paciência.

Couceiro teve uma experiência no futebol russo em 2011-12, ao comando do Lokomotiv Moscovo, e foi candidato à presidência do Sporting nas eleições de Março de 2013, que deram a vitória a Bruno de Carvalho.

Neste regresso ao activo, José Couceiro encontra o Vitória de Setúbal na antepenúltima posição da I Liga, com cinco pontos em sete jogos. Os sadinos somam uma vitória, dois empates e quatro derrotas, tendo marcado dez golos e sofrido 17, o que faz do emblema setubalense a pior defesa do campeonato.