Jorge Jesus vai ser constituído arguido nos próximos dias

Treinador envolveu-se com agente da PSP após jogo em Guimarães e arrisca suspensão.

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Jorge Jesus, envolvido na confusão Francisco Leong/AFP

O treinador do Benfica, Jorge Jesus, vai ser constituído arguido e ficará sujeito a termo de identidade e residência, após os incidentes no final do jogo de domingo, em Guimarães, revelou ao PÚBLICO Carla Duarte, subcomissária da PSP, corrigindo a informação inicial de que o técnico benfiquista já tinha sido constituído arguido.

O técnico benfiquista envolveu-se com agentes policiais e stewards (assistentes de recinto desportivo), quando estes detinham adeptos que invadiam o relvado, no fim do encontro que o Benfica venceu por 1-0.

Carla Duarte explicou que o técnico do Benfica "foi identificado" e "vai ser constituído arguido, com termo de identidade e residência". Inicialmente a subcomissária avançou ao PÚBLICO e a outros órgãos de comunicação social que Jorge Jesus já tinha sido constituído arguido, mas a meio da tarde corrigiu a informação, afirmando que afinal isso só acontecerá nos próximos dias, por ordem da PSP ou do tribunal.

O auto de notícia será enviado nos próximos dias para o tribunal de Guimarães. A subcomissária da PSP explicou que este auto se limita a descrever os factos e que será o Ministério Público a decidir que acusação será feita a Jorge Jesus – por isso, ainda não se sabe em que pena pode incorrer o técnico benfiquista.

Os acontecimentos em causa ocorreram no final do jogo em Guimarães, quando adeptos do Benfica invadiram o relvado, pedindo camisolas aos jogadores da equipa da Luz. Os stewards e agentes da PSP apressaram-se a agarrar esses adeptos, algo que desagradou a Jesus.

Visivelmente irritado, o treinador do Benfica tentou libertar um dos adeptos, envolvendo-se em empurrões com os agentes, como mostram vídeos publicados no YouTube.

“Não se passou nada. Os jogadores iam entregar as camisolas aos adeptos. Quero agradecer o apoio que deram. Com a emoção começaram a entrar dentro de campo e um adepto do Benfica foi bloqueado por um segurança. Disse-lhe para deixar o jovem tranquilo. Saio em defesa dos adeptos do Benfica e dos jogadores, serei sempre o primeiro a defendê-los”, disse Jorge Jesus, no final do encontro, em declarações à Sport TV, na flash interview.

Pouco depois, na conferência de imprensa, Jesus recusou abordar o assunto, considerando que estava na sala para falar do jogo.

Já o advogado de Jorge Jesus, Miguel Henriques, disse neste segunda-feira à agência Lusa que os incidentes com o treinador estão a ser extrapolados. “Está a extrapolar-se o que se passou. Jorge Jesus sentiu-se moralmente responsável pelo momento de festa por ter pedido aos jogadores que se dirigissem à bancada. Sendo moralmente responsável por esse acto, percebeu que, pela falha de segurança, deixaram entrar adeptos. O que agarrou a camisola já estava a voltar para a bancada e houve ali algum excesso de zelo, que só acontece a quem lá está”, argumentou.

Miguel Henrique esclareceu ainda à Lusa não haver acusação formal: “Em relação ao processo, não há nada nem podia haver, à velocidade que as coisas correm. Jorge Jesus terá que ser notificado, mas nada até agora”.

Treinador arrisca suspensãoOs acontecimentos de Guimarães podem ainda valer um castigo desportivo ao treinador do Benfica, dependendo dos factos que forem apurados. O relatório da PSP será enviado para a Liga, disse ao PÚBLICO a subcomissária Carla Duarte.

Segundo José Manuel Meirim, professor de Direito do Desporto, a atitude de Jorge Jesus enquadra-se no artigo 132.º do regulamento disciplinar da Liga, que pune atitudes de violência. “Parece-me claro que assumiu atitudes de violência”, diz Meirim, sublinhando que este artigo prevê uma suspensão entre seis e 18 meses.

O professor de Direito do Desporto diz ainda que a atitude de Jorge Jesus poderá ser avaliada à luz do artigo 131.º, que pune agressões e tentativas de agressão a agentes de segurança. Neste caso, a agressão é punida com suspensão de três meses a três anos e a tentativa de agressão é castigada com pena de suspensão de um mês a um ano.

Qualquer castigo, no entanto, dependerá da abertura de inquérito. “Quer a secção profissional do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, quer o órgão de instrução de inquéritos da Liga, têm competência para o fazer”, acrescenta Meirim.

O PÚBLICO tentou contactar a Liga e a FPF, mas ainda não foi possível obter resposta.

Notícia actualizada às 16h16 Acrescentada correcção da PSP, que inicialmente tinha informado que Jorge Jesus já tinha sido constituído arguido.

Notícia actualizada às 20h22 Acrescentadas declarações do advogado de Jorge Jesus.