Recapturado em Viana o segundo touro em fuga desde Maio

Em Aveiro a S.O.S Equinos continua sem rasto do “Marreta”, o touro que foi adquirido pela associação em Viana, com dinheiro de uma campanha lançada nas redes sociais.

Chegaram a ser usadas vacas para atrair os touros, em Maio, mas sem sucesso
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Chegaram a ser usadas vacas para atrair os touros, em Maio, mas sem sucesso Nuno Alexandre Mendes

Depois de três meses e meio a andar em liberdade pelos montes de Viana do Castelo, o segundo touro que fugiu de uma quinta em Perre, em Maio passado, foi capturado, na madrugada desta segunda-feira, depois de atraído a um estábulo com outros animais

Em Aveiro, a S.O.S Equinos lançou, no fim-de-semana, nova operação de busca para tentar encontrar o outro touro protagonista desta história, o “Marreta”, mas nem sinal do animal. João Paulo Jacinto, o responsável da associação garantiu ao PÚBLICO que não vai desistir de procurar o touro.

A história de sobrevivência do Marreta, aquando da primeira fuga, em Viana, fez sucesso nas redes sociais e permitiu reunir a verba necessária para a compra do animal. O negócio foi concretizado no final de Junho, através de um pagamento de 1.378 euros ao proprietário. O animal foi depois para Aveiro, mas voltou a fugir.

Criador de gado durante mais de 50 anos, Manuel Farinhoto confessou esta segunda-feira que já não tinha esperança de reaver o segundo touro mas, admitiu, nos últimos dias, a confiança reacendeu face às notícias que davam conta da presença do animal nas redondezas. “Foi avistado durante a noite, dentro de algumas propriedades”, explicou, admitindo que o animal “estaria cansado e a querer companhia”.

A estratégia foi montada e resultou esta madrugada, quando o animal entrou num quintal onde existe um estábulo. Terá sido a presença de gado que terá atraído o touro de raça galega com mais de 500 quilos. “Fizemos-lhe uma espera. Abrimos as portas do estábulo e com o cheiro do gado, apesar de desconfiado, acabou por entrar e conseguimos apanhá-lo”, adiantou Manuel Farinhoto.

O animal já voltou entretanto ao estábulo onde foi criado cerca das 03h30 mas agora muito mais agressivo. “Está muito agitado, está uma fera autêntica. Tenho medo que fuja outra vez porque está muito selvagem. Para além de estar preso na boxe ainda tive que o prender com cordas”, adiantou.

Manuel Farinhoto manifestou-se disponível para vender o animal ao movimento criado no facebook, “Touros em Fuga” para que possa viver em liberdade mas não descartou a possibilidade do seu destino ser o talho. “Não posso tê-lo aqui muito tempo porque está muito bravo. Está muito crescido e tem boa carne. Vou ter que resolver rapidamente”, sustentou o homem que já tinha estabelecido que estes dois touros seriam os últimos que criaria. Com 66 anos de idade decidiu abandonar a criação e dedicar-se à produção de vinho.

Em Aveiro, para onde seguiu em Julho o Marreta, para as instalações da S.O.S Equinos, na Palhaça, a “esperança é a última a morrer” apesar de nesta altura não ser conhecida a sua localização. João Paulo Jacinto adiantou ao PÚBLICO que o animal deverá estar a cerca de quatro a cinco quilómetros das instalações da associação. O problema é que se trata de uma zona extensa e de densa vegetação. “São bastantes hectares de terreno e, mato muito denso”, adiantou.

O Marreta e o outro touro recuperado na madrugada desta segunda-feira em Viana, fugiram a 6 de Maio da quinta Manuel Farinhoto que criou “centenas” de animais sem que nunca lhe tivesse acontecido situação semelhante. A fuga ocorreu precisamente quando estavam a ser encaminhados para o camião que os conduziria ao matadouro.Tinham como destino final um talho de Ponte de Lima.

O “Marreta”, o mais agressivo conseguiu libertar-se das cordas que o puxavam para o interior do camião. No meio da confusão, o outro touro, que até já estava no camião, também conseguiu fugir, campo fora e montes acima. Seis dias depois de andar à solta pelos montes de Outeiro, o “Marreta”, acabou por ser capturado por populares. Regressou ao estábulo de Manuel Farinhoto a 12 de Maio para recuperar das mazelas provocadas pela densa vegetação dos montes e, para voltar a ser vendido.

No entanto, a história de “sobrevivência” do animal não parou de somar apoios nas redes sociais. Foi mesmo criada uma página “Touros em Fuga”, com mais de três mil seguidores que, em parceria com a S.O.S Equinos conseguiu reunir a verba necessária à compra do animal. O negócio foi concretizado no final de Junho, através de um pagamento de 1.378 euros ao proprietário. A 17 de Julho voltou a fugir e não mais foi avistado.