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Jibóia

Estafeta de bandas (Torre dos Clérigos - Rua Cândido dos Reis) + Plano B

O Óscar roubou o Casio em 2012. Foi perseguido 12 dias e 12 noites por 12 patifes barbudos, enlameados, mal-vestidos e enraivecidos a quem o Casio pelos vistos fazia falta. Fugiu por desertos e florestas que podem ser as da vossa preferência, falou línguas que claramente não conhecia até porque nunca existiram de maneira alguma, enganou o frio escondendo o corpo à noite e bebeu do Sol o que não bebia de outra maneira. A mania de não quebrar por dobrar até onde lhe apetecer foi ele que a inventou – hoje fazem aviões com isso – portanto nem o deserto soube o que lhe fazer, enrolou-o numa centrifugação de areias e cactos e cuspiu-o novinho em folha, impecável como o recebeu. Vem de um sítio sólido – mas que dobra como algumas pontes - e não lhe são nada estranhos os desertos que se encontram em guitarras tanto em sussurros como aos gritos. Faltava-lhe a Jibóia, porque sim. Não se pode dizer que a Jibóia aparece do nada... as jibóias vêm sempre de algum sítio. Mas é menos interessante pensar nisso do que no que se pode fazer quando uma aparece. E isto que agora aparece sente-se nas ancas, num formigueiro nos pés, num movimento ondulante e hipnótico e enquanto o pescoço e cabeça ainda se enganam noutros desertos de guitarras, surge uma voz que sabe-se lá donde vem mas que sabe ficar. O Óscar do Médio Oriente - ou será Próximo? - de Boba Deli, ou de uma ilha longe qualquer... todos estes sítios e mais alguns fingem menor distância na cabeça daquele que quando roubou o Casio, o roubou sem pilhas e que aceitou este desafio auto-imposto de fazer sentir a toda a gente os apertos da Jibóia que inventou.

Eu, que declaro isto, mentindo sempre que posso, personagem que também pode ser uma qualquer da vossa preferência, relaciono-me com esta maneira de não saber querer saber o que se está fazer, mas sentir que tem de ser feito, ou que é melhor fazer, dê lá por onde der. Criou o bicho? Vai ter de mexer.