Rui Machete reage às críticas: são reflexo da “podridão dos hábitos políticos”

Depois de ter tomado posse como ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, o novo elemento do Governo reagiu aos que criticam a sua entrada para o Governo devido às ligações que teve aos bancos BPN e BPP.

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Rui Machete e o seu antecessor, Paulo Portas, na tomada de posse Miguel Manso
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Passos Coelho cumprimenta o novo ministro da Economia, Pires de Lima Miguel Manso
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O novo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, toma posse Miguel Manso

Rui Machete tomou posse nesta quarta-feira como ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros e considerou que as críticas de que é alvo por ter exercido funções na Sociedade Lusa de Negócios (SLN), dona do BPN, são reflexo da “podridão dos hábitos políticos”.

Rui Machete, antigo presidente da comissão política do PSD e ex-vice-primeiro-ministro do Governo do Bloco Central (PS-PSD-CDS), falava aos jornalistas depois de ter tomado posse, num acto que decorreu no Palácio de Belém e ao qual faltou o ex-ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, que foi sibstituído nesta remodelação pelo centrista António Pires de Lima.

Interrogado sobre a polémica em torno da sua passagem pela SLN, a holding do Banco Português de Negócios (BPN), Rui Machete respondeu: “Isso denota uma certa podridão dos hábitos políticos, porque deviam saber em que condições eu passei, em vez de darem notícias bombásticas.”

Como o PÚBLICO noticiou, o novo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, foi presidente ao longo de vários anos do conselho superior da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), a proprietária do Banco Português de Negócios (BPN), onde o Estado português injectou a fundo perdido cerca de 4 mil milhões de euros. A biografia oficial omite a ligação de Machete ao BPN, facto que o Governo justifica com o argumento de que nela só constam as funções públicas.

Na sua qualidade de ex-presidente da Fundação Luso-Americana, Rui Machete esteve ligado ao Banco Privado Português (BPP), onde foi membro também do conselho consultivo, e onde adquiriu cerca de 3% das acções, investimento que a FLAD perdeu quando o banco declarou falência.

Questionado sobre se a exploração do caso da sua passagem pela SLN o poderá fragilizar em termos políticos, o novo ministro deu uma resposta seca: “Não.” E acrescentou que está de consciência tranquila “há muitos anos”.

Nas declarações que fez aos jornalistas, Rui Machete referiu que apenas na terça-feira foi convidado pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, para o cargo de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, sucedendo nestas pastas ao presidente do CDS, Paulo Portas.

“Foi uma decisão rápida de ontem [terça-feira]. Fui convidado ontem, pedi um tempo e tive três horas para reflectir”, referiu.

Rui Machete foi também questionado sobre a forma como encara o regresso a um governo 28 anos depois da sua última experiência governativa. “Não tinha pensado voltar ao governo, mas aceitei pela situação do país”, justificou.

Além de Machete, neste acto foram empossados Paulo Portas, que deixa os Negócios Estrangeiros e passa a vice-primeiro-ministro – com a coordenação na área económica e as negociações com a troika –, Pires de Lima (Economia), Jorge Moreira da Silva (Ambiente, Energia e Ordenamento do Território). Mota Soares e Assunção Cristas mantêm-se à frente dos ministérios da Segurança Social e Agricultura e Mar, respectivamente. Mota Soares assumiu agora a pasta do Emprego, ao passo que Cristas deixou o Ambiente e Ordenamento do Território.