Sócrates diz que Governo e Presidente ficam mais débeis

O antigo primeiro-ministro diz que a direita queria “um Governo, uma maioria, um presidente e uma oposição no bolso”.

José Sócrates em Viana do Castelo em Junho de 2011
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José Sócrates em Viana do Castelo em Junho de 2011 Miguel Manso

No seu habitual comentário na RTP, o ex-secretário-geral socialista José Sócrates até se manifestou favorável a um acordo entre PSD, CDS e PS, embora acrescentasse que nunca pensou que ele fosse possível porque não assentava “numa base de mudança política”.

E Sócrates diz que o processo falhou, porque quando o Presidente lançou a iniciativa de “salvação nacional” devia ter acautelado algum sucesso e, “pelos vistos, avaliou mal”.

E o antigo primeiro-ministro tira a seguinte conclusão: “Acontece uma crise iniciada pelo Governo, depois continuada pelo senhor Presidente da República. O que me ocorre pensar é o seguinte: em 2011 a direita abriu uma crise política que gerou eleições e o pedido de ajuda externa. A direita teve aquilo que precisava para governar: um Presidente, um Governo uma maioria. O que eu noto ao fim de dois anos é que para a direita não basta um Governo, um presidente, uma maioria”(…) é preciso “também uma oposição no bolso. Isso é pedir demais.”

Para Sócrates, a solução avançada neste domingo por Cavaco Silva “põem o Governo numa situação ainda mais débil”. “Mas não apenas o Governo, como também o senhor Presidente. Há uma degradação, da credibilidade das instituições."

O socialista lembrou que, “depois de ter lançado reservas sobre a solução que lhe foi apresentada e ao fim de quase dez dias” Cavaco Silva “diz afinal rendo-me, faço isto a contra gosto e escolho o mal menor.”

“O senhor presidente da República também diz aos portugueses que apesar de este ser o mal menor não deixa de ser um mal”, concluiu.

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