CDS acusa PS de ter terminado "unilateralmente" as negociações

Pedro Mota Soares diz que os socialistas nunca apresentaram alternativas de redução da despesa.

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Vice-presidente do partido foi a voz da posição do CDS Enric Vives-Rubio

Pedro Mota Soares, vice-presidente do CDS-PP, acusou o PS de ter terminado "unilateralmente o processo negocial" da última semana com vista à obtenção de um "compromisso de salvação nacional" pedido pelo Presidente da República.

O chefe da delegação do CDS-PP nas negociações afirmou terem sido aceites várias propostas dos socialistas, mas ao mesmo tempo acusa-os de não terem apresentado alternativas à redução de despesa, pedidas pelos partidos da maioria. "Infelizmente isso não sucedeu", afirmou.

Para o também ministro da Solidariedade e da Segurança Social, "Portugal precisa de uma cultura de compromisso e diálogo" e "a maioria dos portugueses queria que se chegasse a um acordo".

"Lamentamos a posição do PS", reforçou, acresentando que o faz também por os socialistas não terem "reconhecido os pontos de convergência" a que os três partidos chegaram.

Mota Soares afirmou ainda, mais do que uma vez, que o CDS se preocupou em não dificultar a vida ao PS, nomeadamente ao defender a ideia de que se deve "potenciar um ciclo político mais focado no crescimento da economia e do emprego" e ao mostrar disponibilidade para "alterar o calendário eleitoral", um ponto "muito sensível" dos pilares propostos pelo Presidente da República.

Mas foi no segundo pilar, relativo ao cumprimento do memorando da troika, que se focou, deixando à vista que daqui resultaram as maiores divergências. "As obrigações do Estado são matéria de cumprimento, não sendo possíveis medidas que aumentem a despesa ou reduzam a receita fiscal", frisou.

Relativamente à trajectória do défice, que o PS propôs renegociar com a troika, Mota Soares afirmou que, "sabendo que os ajustamentos ao ajustamento não dependem só de nós", foi proposto "um método para que todos pudessem aceitar os resultados da negociação com a troika", sem revelar qual.

Revelou também que a maioria propôs a separação de medidas da sétima avaliação já votadas no Parlamento de "outras que ainda não o foram" - como são as leis relativas à Função Pública, cuja votação foi suspensa durante o processo negocial.

O CDS, acrescentou, defendeu a reforma do IRC e do IRS, "mostrou abertura" à reavaliação do IVA na restauração e "manteve a [sua] linha" no que diz respeito às pensões mínimas e rurais. Estas últimas referem-se à "linha vermelha" que Paulo Portas traçou em Maio, quando se insurgiu contra a aplicação do imposto especial sobre pensões, que o PSD prevê manter no próximo Orçamento do Estado.

Em conclusão, Mota Soares afirmou que o CDS está preocupado com a falta de acordo. O que, diz, "acentua a ideia que muitos portuguese têm que os partidos e os políticos não são capazes de se entenderem".

Ainda assim, afirmou que o CDS "mantém uma disposição para o diálogo". "É muito importante que a vontade de unir seja mais forte que a vontade de separar".