Ordem dos Advogados vai apoiar os 226 detidos no dia da greve geral

Conselho distrital de Lisboa vai fazer escala especial para "este recorde de detenções em Portugal", diz o presidente, Vasco Marques Correia.

PSP acusou os manifestantes de quererem cortar o acesso à POnte 25 de Abril
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PSP acusou os manifestantes de quererem cortar o acesso à POnte 25 de Abril Vítor Cid

A Ordem dos Advogados vai prestar apoio, através do conselho distrital de Lisboa, aos 226 detidos na quinta-feira, dia da greve geral, depois de terem participado num desfile que teria como objectivo cortar o trânsito no acesso à Ponte 25 de Abril, segundo a PSP. Os manifestantes, que tinham partido da Assembleia da República, foram acusados de manifestação ilegal (por o desfile não ter sido comunicado à câmara municipal) e do crime de atentado à segurança de transporte rodoviário (artigo 290º do Código Penal), punido com pena de prisão de um a cinco anos.

“Estamos a tratar de fazer uma escala especial [de apoio aos detidos] para este recorde de detenções em Portugal”, disse aos jornalistas o presidente do conselho distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados, Vasco Marques Correia, no tribunal onde os arguidos têm de se apresentar nesta sexta-feira.

Segundo a PSP, foram identificados e notificados 226 manifestantes que, depois da concentração de quinta-feira em frente ao Parlamento, decidiram seguir em desfile em direcção ao viaduto Duarte Pacheco, em Lisboa.

A Ordem dos Advogados manteve contactos durante a noite com o comando metropolitano de Lisboa e decidiu prestar apoio aos cidadãos que necessitem.

“Não é normal que sejam detidas mais de 200 pessoas numa noite” no contexto de uma manifestação pacífica, afirmou Vasco Marques Correia.

Em comunicado divulgado de madrugada, a PSP afirma que um grupo de manifestantes abandonou as imediações da Assembleia da República cerca das 18h30 em direcção ao Viaduto Duarte Pacheco, onde terá procedido a um “corte da via de trânsito” no acesso à Ponte 25 de Abril.

Porém, esta versão não é confirmada pelos manifestantes, que dizem ter sido conduzidos pela polícia até àquele local, onde foram isolados.

Cristina, uma agente de viagens de 57 anos, que integrava aquele grupo, disse à Lusa que a polícia foi “sempre à frente e a abrir caminho”.

“Pensava que íamos até às Amoreiras e depois para o Marquês de Pombal. E depois conduziram-nos para a ponte 25 de Abril. Ninguém fez corte de trânsito, algumas pessoas saltaram para uma faixa de rodagem e gritaram para os carros apitarem”, relatou.