Estádio José Alvalade dado como hipoteca aos bancos credores do Sporting

O clube lisboeta anunciou nesta sexta-feira o seu plano de reestruturação financeira e de recapitalização da SAD. Na calha estão novos investidores, com ligações a Angola.

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Bruno de Carvalho apresentou o plano de reestruturação financeira do Sporting Bruno Castanheira

Para já, e num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o clube leonino  revela as linhas gerais do plano desenhado pela direcção presidida por Bruno de Carvalho.

Primeiro, os responsáveis do Sporting pretendem concretizar a fusão, por incorporação, da Sporting SAD (Sociedade Incorporante) e Sporting Património e Marketing, SA (Sociedade Incorporada).

Depois, irão proceder a um aumento do capital social da Sporting SAD por entrada em espécie, a realizar por subscrição particular pela sociedade Holdimo – Participações e Investimentos, SA, no montante de 20 milhões de euros, mediante a conversão de um crédito daquela entidade sobre a Sporting SAD, resultante de contrato de parceria de cooperação financeiro-desportiva, através de emissão de 20 milhões de novas acções com o valor nominal de um euro cada. Segundo avança o Jornal de Negócios, o empresário angolano Álvaro Sobrinho, dono da Newshold (accionista da Cofina), é um dos investidores ligados à empresa.

De seguida, haverá um outro aumento de capital da Sporting SAD num montante total de 18 milhões de euros, a realizar por novas entradas em dinheiro através de subscrição particular junto de investidor, ou investidores seleccionado(s) pela administração da SAD. Serão emitidas 18 milhões de novas acções, com o valor nominal de um euro cada.

O Sporting aceita ainda dar como hipoteca aos bancos credores o direito de superfície do Estádio José Alvalade e do Edifício Multidesportivo como garantia de pagamento dos valores em dívida.

Avança também a emissão de Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis em acções da Sociedade (“VMOC”), no montante de 80 milhões de euros, com prazo de 12 anos e obrigatoriamente convertíveis em acções ordinárias da Sporting SAD a um preço de um euro cada, com uma taxa de juro anual bruta condicionada de 4%, devida quando existam resultados distribuíveis pela Sporting SAD. Esta operação consiste na conversão de créditos detidos sobre a Sporting SAD pelo Banco Espírito Santo (24 milhões de euros) e Banco Comercial Português (56 milhões de euros).

Num comunicado publicado no seu site, o Sporting revela ainda que apresentará uma proposta à Assembleia Geral do clube de contrair um empréstimo bancário até ao montante global de 68 milhões de euros, destinado a liquidar dívida do Sporting perante a Sporting SAD, bem como a liquidar dívida do Sporting e Sporting SAD perante os bancos.