Crítica

Pop com filmes lá dentro

Há dois anos, o françês Yoann Lemoine, mais conhecido por Woodkid, resolveu mudar de vida. Conhecido pela realização de inúmeros videoclips (Drake, Rihanna, Katy Perry, Lana Del Rey ou Taylor Swift), pelos prémios no universo da publicidade ou pela colaboração com realizadores como Luc Besson, fartou-se de estar por trás das câmaras e assumiu-se como protagonista. E a verdade é que rapidamente viu as luzes dos holofotes a incidirem sobre si. Não abandonou por completo a sua actividade, com os vídeos das suas canções iniciais (com destaque para iron em 2011 e Run boy run em 2012) a desempenharem um papel importante na disseminação do seu nome, mas acabou por ser a sua pop orquestral grandiosa a dar-lhe a visibilidade desejada. 

O seu álbum de estreia acaba por conter os singles já conhecidos (Iron, Run boy run e I love you), contendo mais uma dezena de canções que acabam por guiar-se pelas mesmas premissas, ou seja, canções majestosas, com muita teatralidade, algum melodrama e o tipo de empolgamento que caberia em qualquer produção cinematográfica contemporânea de cariz épico. Nada de mal. Muitas destas canções aguentam-se na perfeição sozinhas. São canções pop orquestrais imaculadas, com um toque tribalista que cabe bem no presente. Mas quando ouvido do início ao fim o álbum de estreia de Woodkid causa algum cansaço: as soluções repetem-se, apesar de haver por aqui variações entre o frenesim e climas mais tranquilos, e as texturas assemelham-se. 

Numa altura em que parece existir uma nova fornada de valores gauleses a emergir (Lescop, La Femme, Juveniles, Concrete Knives, Pegase, Mine Tindle, Melody’s Echo Chamber), o francês Yoann Lemoine lança um álbum que fixa com desenvoltura um capítulo da sua história pessoal — esse momento em que deixa as câmaras e salta para o lado de cá, embora, como em muitos outros casos de sucesso do cenário francês (dos Daft Punk aos Air), a cultura visual esteja sempre interligada com o imaginário sonoro.

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