Morreu Costa Lobo, pioneiro do urbanismo

Trabalhou intensamente em Portugal e no estrangeiro, assinando planos e estudos urbanísticos para Coimbra, Seixal, Moçambique, Brasil e Macau.

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Costa Lobo teve uma intensa actividade como professor Foto: Academia das Ciências de Lisboa

O urbanista Manuel Leal da Costa Lobo, que morreu na noite de segunda-feira em Lisboa, aos 84 anos, foi um “profissional de prestígio internacional” e um dos “pioneiros do urbanismo” em Portugal, disse esta terça-feira à Lusa Lusitano dos Santos, tal como ele sócio-fundador da Associação dos Urbanistas Portugueses (AUP).

Lusitano dos Santos destacou ainda o trabalho “notável” de Costa Lobo e enalteceu a sua actividade  em prol do urbanismo em Portugal: “Foi um urbanista de prestígio mundial e, além de fundador e sócio número um da AUP, foi também presidente da Associação Internacional de Urbanistas Portugueses, da qual também foi membro fundador”, disse Lusitano dos Santos.

Manuel Leal da Costa Lobo, professor catedrático do Instituto Superior Técnico de Lisboa e de Urbanismo no departamento de Engenharia Civil da Universidade de Coimbra, foi urbanista em Coimbra durante 20 anos e fez, em 1969, um plano concelhio para a cidade, recordou ainda Lusitano dos Santos.

Em 1974, Costa Lobo desenhou igualmente um plano de urbanização para a cidade.

Costa Lobo recebeu de Jorge Sampaio a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública, em 2006, tendo sido também presidente da Comissão para a Investigação Urbana e Regional e Vice-Presidente do Grupo de Estudos da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) sobre a política de planeamento urbano a prever para a década de 1980.

Entre outros trabalhos, realizou o plano do bairro residencial de Beja da Base Aérea Luso-Alemã (anos 60) e o plano do complexo turístico de Vilamoura, no Algarve, de que foi urbanista durante cerca de 20 anos, acompanhando o desenvolvimento dos estudos.

Fez também o plano de Vila de Óbidos (vila histórica) e o plano do Vale de Milhaços - Seixal (reconversão de áreas de desenvolvimento clandestino, método original que se estendeu com sucesso a diferentes núcleos). Foi também no Seixal que trabalhou como urbanista durante quase duas décadas.

O plano da Praia da Vitória, nos Açores; o do Caniço, em Moçambique, e vários Estudos Urbanísticos em Cabo Verde (cidades da Praia e Mindelo) são da sua responsabilidade, assim como o Plano de Salvaguarda e Valorização da Encosta de Ajuda-Belém (áreas histórica monumental de Lisboa); os Estudos de Expansão de Ankara e Parque Ataturk, na Turquia; o Plano Regional da Região Autónoma da Cantábria (Equipa internacional - 1990), em Espanha; e o Plano de Macau (China). 

Costa Lobo chegou a participar ainda no concurso para a Urbanização da Rocinha, favela do Rio de Janeiro, recebendo uma Menção Honrosa. O seu funeral realiza-se esta quarta-feira, no cemitério da Conchada, em Coimbra. Antes das cerimónias fúnebres, realiza-se uma missa na casa do urbanista, às 14h.