Manuel Clemente “é capaz de estabelecer pontes”, diz teólogo Anselmo Borges

Elogios ao novo patriarca de Lisboa.

O teólogo Anselmo Borges considera que a nomeação de Manuel Clemente como patriarca de Lisboa “não foi surpresa” e salienta a sua capacidade “de estabelecer pontes com o mundo da cultura e o mundo da política”.

Interrogado pela agência Lusa, o professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, diz que “o bispo Manuel Clemente é uma figura que fará um bom papel enquanto patriarca de Lisboa, é um homem culto, um homem capaz de estabelecer pontes também com o mundo da cultura e o mundo da política”.

Para Anselmo Borges, para quem a nomeação do bispo do Porto, “não foi surpresa nenhuma, porque era o nome que estava mais indicado, ele “é a pessoa adequada, tanto mais que é um homem diplomata, e alguma diplomacia será necessária no cargo de patriarca de Lisboa”.

Questionado se esta a nomeação poderia ser considerada um pouco contra a corrente com o que se passou na Santa Sé, com a eleição de um papa mais ligado aos fiéis e menos ao universo da cultura, como o seu antecessor, Anselmo Borges considerou que Francisco também precisará “de dar sinais ao nível da cultura e ao nível da teologia”
“Sem teologia, o cristianismo corre o risco de ficar reduzido pura e simplesmente a sentimento. Sem teologia, o cristianismo não poderá argumentar na universidade, no espaço público. E uma fé que não é capaz de argumentar no espaço público reduz-se a sentimento”, afirmou

Lembrando que Manuel Clemente é “um homem que está enraizado nos valores fundamentais do evangelho”, o padre considera que ele se interessa “também pelo mundo da justiça social, e tem dado sinais nesse sentido, mas há também todo o mundo da cultura e ele estabelecerá pontes nesse domínio”.

Argumentou ainda que “aquilo que nós precisamos neste momento de crise em Portugal, na Europa e no Mundo, é certamente de uma revolução cultural”.

Carreira das Neves: eleição perfeita
A escolha de Manuel Clemente para patriarca de Lisboa foi a “eleição perfeita”, considerou, por sua vez, o teólogo franciscano Carreira das Neves, afirmando não ter dúvidas de que “Lisboa vai ter um grande patriarca”.

O padre, antigo professor e amigo de Manuel Clemente considerou, em declarações à agência Lusa, que “Lisboa vai ter um grande patriarca, um grande cardeal mais tarde ou mais cedo, não há dúvida nenhuma que a eleição dele foi a eleição mais perfeita”.

Carreira das Neves sem querer fazer "a apologia por causa do papa Francisco" considerou que o bispo do Porto “tem uma costela franciscana muito grande, espírito de pobreza, de humildade, de nobreza".
D. Manuel Clemente "é um nobre espiritual e isso é fundamental”, disse.

Para o franciscano, Manuel Clemente “é uma pessoa de uma grande capacidade intelectual e ao mesmo tempo, um grande pastor.”

“É um homem que conhece muito bem o campo prático da sua diocese que é o Grande Porto e, por alguma coisa, o Porto político e o Porto social e religioso não queria que ele viesse para Lisboa, o que é absolutamente normal”.
Carreira das Neves admitiu que também ele “gostaria que o Manuel Clemente continuasse a fazer o trabalho que tem feito no Porto, porque tem feito um trabalho excepcional”.

O teólogo concluiu, afirmando que o novo patriarca de Lisboa “vai ser um diplomata, um homem da cultura, mas vai continuar a ser o homem da pastoral que tem o seu rebanho e as suas ovelhas e sabe ser um bom pastor, à frente do seu rebanho, dando-lhes a palavra o amor e a ternura.”

O actual bispo do Porto Manuel Clemente, de 64 anos, será nomeado sábado Patriarca de Lisboa, sucedendo no cargo a José Policarpo, resignatário desde 2011 quando completou 75 anos, disse à Lusa fonte eclesiástica.

O anúncio será feito na Cidade do Vaticano, no sábado, às 12h (11h de Lisboa), disse a mesma fonte.