Crónica de jogo

Kelvin deixou o título à mercê do FC Porto

O jovem brasileiro marcou o golo da vitória já em tempo de compensação e puxou o tapete ao Benfica, que tentava segurar o empate. A uma jornada do fim, os “dragões” estão na frente.

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Mangala e Lima disputam a bola AFP
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Lima festeja o primeiro golo do jogo AFP
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Varela fez o cruzamento que deu origem ao golo do empate AFP
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Kelvin no momento que decide o jogo Miguel Riopa/AFP

O Benfica perdeu a invencibilidade e ficou perto de perder o campeonato, que está agora à mercê do FC Porto. Um golo do improvável Kelvin, no primeiro minuto dos descontos, resolveu o “clássico” disputado no Estádio do Dragão a favor dos portistas (2-1) e colocou a revalidação do título da sua equipa à distância de um triunfo. As contas dos “azuis e brancos” são fáceis de fazer: se vencer em Paços de Ferreira na última jornada, dentro de uma semana, volta a sagrar-se campeão. O Benfica entrou no jogo com possibilidade de se sagrar campeão — e logo no Porto —, mas, depois de liderar grande parte do campeonato, está agora um ponto atrás do seu rival e não depende de si próprio para festejar, pois precisa de ganhar ao Moreirense e esperar um tropeção portista.

A maior parte dos golos do FC Porto na prova foi obtida por Jackson Martínez, mas, se segurar a vantagem para o Benfica na Mata Real, um dos homens do título será também Kelvin, que já tinha sido determinante contra o Sp. Braga. O jovem avançado brasileiro, que tem alternado entre a equipa principal e a B, e até esteve ausente de algumas convocatórias depois de ter reagido mal a uma substituição, entrou aos 79’ e, pouco mais de dez minutos depois, desfez o empate a um que durava desde meio da primeira metade.

Durante muito tempo, à medida que o Benfica se mantinha com um dos dois resultados que lhe interessavam, chegou a parecer que a noite seria de Lima. O brasileiro, apontado muitas vezes como a grande diferença entre as duas equipas, inaugurou o marcador a favor dos visitantes, aumentando as hipóteses do Benfica, mas esta só conseguiu estar na frente poucos minutos, sofrendo um autogolo de Maxi Pereira, que acabou por ser decisivo.

O FC Porto apresentou a equipa esperada, com Varela no lado esquerdo, enquanto Jorge Jesus deixou Cardozo no banco, apostando em Ola John e em André Almeida como defesa-esquerdo. O holandês teve, contudo, mais preocupações defensivas e apareceu pouco no ataque, enquanto Gaitán era o elemento mais próximo do sempre perigoso Lima. Num jogo com um ambiente frenético, muito disputado e intenso, mas com poucas verdadeiras oportunidades de golo, começaram mais pressionantes os homens da casa, a tentar recuperar a bola rapidamente, mas o Benfica também incutia respeito e tentava jogar adiantado no terreno.

O primeiro momento junto das balizas aconteceu perto da de Artur, através de um remate-cruzamento de Danilo a que Jackson chegou atrasado. Mas foi na de Helton que as redes mexeram pela primeira vez. Os primeiros lances de maior perigo do Benfica aconteceram através de lançamentos laterais longos e foi dessa forma que abriu o activo aos 19’. Garay rematou, a bola ressaltou num portista e Lima, muito rápido na reacção, encostou para a baliza.

O lance poderia ter sido fatal para a equipa de Vítor Pereira, mas uma subida pela esquerda de Varela, que até aí até estava mal no jogo, resultou no empate aos 25’: o internacional português cruzou e a bola tabelou em Maxi, traindo Artur. Um livre directo de Lima e um remate de Moutinho, ambos bem resolvidos pelos guarda-redes, foi o melhor que os dois candidatos tiveram até ao intervalo, que chegou com ânimos exaltados entre elementos das duas equipas.

Varela foi o homem mais activo no reatamento, com duas acções que saíram ao lado. O FC Porto insistiu nos cruzamentos, mas Artur e os centrais benfiquistas resolveram sempre eficazmente as coisas para as suas cores. Os “encarnados” estavam a ser eficazes na sua tentativa de “congelar” o jogo e o resultado — e o campeonato —, com Matic a subir de nível em relação à primeira metade.

Depois começaram as substituições e uma delas foi determinante. Cardozo quase enganava Helton através de um livre directo rasteiro aos 81’, mas seria o FC Porto a marcar o golo que pode valer um campeonato, já depois de James desperdiçar uma grande oportunidade depois de sair de posição duvidosa. Lucho saiu para dar lugar a Kelvin e o brasileiro beneficiou de um passe de Liedson para bater Artur.