Há seis mil vagas para pizzeiros, mas poucos italianos querem pôr a mão na massa

Um salário que oscila entre os 1700 e 2500 euros mensais não é atractivo suficiente para que os desempregados italianos queiram preparar pizzas como profissão.

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Italianos gastam 9000 milhões todos os anos em pizzarias Tony Gentile/Reuters

O país que inventou a pizza está com um problema de mão-de-obra. Para responder à procura, o sector necessita de 6000 pizzeiros, diz um estudo feito pela federação italiana de comércio (FIPE). A questão é que a profissão se encontra desvalorizada, apesar de a comida ser procurada como nunca.

Um representante da Associação dos Pizzeiros Napolitanos, Claudio Sebillo, diz ao PÚBLICO que a falta de pessoal no ramo das pizzarias não significa que os italianos estejam a rejeitar esta tradição, mas está relacionado com o facto de procurarem trabalhos mais intelectuais.

A remuneração média para quem prepara pizzas oscila entre os 1700 e os 2500 euros mensais, mas Claudio Sebillo afirma que o que está em causa é mais uma questão de desprestígio da profissão do que de baixos salários. “É um trabalho muito cansativo e ainda não é valorizado. Aliás, valorizam-se cada vez mais as pizzas e cada vez menos a pessoa que as faz”, argumenta. Um pizzeiro trabalha oito horas, todos os dias, normalmente em dois turnos de quatro horas cada um. “Não é que os italianos não queiram trabalhar especificamente neste ramo, o que acontece é que, em geral, há uma tendência de não se querer fazer trabalhos manuais e que exijam mais esforço físico”, acrescenta.

Claudio Sebillo diz que a necessidade de seis mil pizzeiros apontada pela FIPE pode estar inflacionada. “Há efectivamente uma carência de pessoal. O estudo aponta para cerca de seis mil pizzeiros, mas, como inclui a necessidade sazonal de pessoal, parece-nos um número exagerado”.

Com o propósito de suprir a falta de mão-de-obra, a Associação dos Pizzeiros Napolitanos, região de onde a pizza é originária, está a promover um projecto de formação. “O objectivo é aproximar os italianos deste trabalho. Estamos a falar principalmente dos jovens, mas também de qualquer pessoa com vontade ou necessidade de mudar de ramo de trabalho”, refere o mesmo responsável. Sebillo diz que as pessoas de outros países são bem-vindas, mas frisa que o foco principal são os italianos.

Por constituir uma refeição económica e facilmente transportável, a pizza está cada vez mais presente na alimentação dos italianos. O relatório da FIPE indica que eles gastam, anualmente, cerca de nove mil milhões de euros em pizzarias, o que corresponde a 12% do valor gasto em refeições fora de casa.