Apenas 44 dos mais de 2000 candidatos a diplomatas passaram no exame de cultura geral do MNE

Candidatos à carreira diplomática tinham criticado prova de cultura geral da responsabilidade do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Paulo Portas ordenou a anulação do primeiro exame.

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Maior parte dos candidatos não estava apto a passar as portas do Palácio das Necessidades Pedro Cunha

A segunda fase do concurso do MNE para a categoria de adido de embaixada consiste agora na realização de provas escritas de língua portuguesa e inglesa, já no dia 18 de Maio. Mas apenas quatro dezenas de candidatos passaram a esta fase. 
A prova da responsabilidade do ministério tutelado por Paulo Portas esteve
envolta em polémica desde o primeiro momento, conforme o PÚBLICO noticiou. 

O ministro dos Negócios Estrangeiros assinou no passado dia 2 um despacho no qual determinou a anulação da primeira prova de cultura geral

, convocando os mais de dois mil examinandos para um novo teste no dia 20 de Abril. Na altura, o MNE justificou, em comunicado, que a repetição da prova se devia ao facto de esta não ter assegurado condições de igualdade para todos os candidatos, já que em algumas das salas da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa – onde se realizou o primeiro teste no dia 16 de Março – os enunciados dos exames foram substituídos, permitindo assim a alguns candidatos corrigir respostas rasuradas. Tal facto, adiantou o ministério, violou as regras contidas na folha de instruções que integrava o enunciado da prova. 


Na véspera do despacho do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, o PÚBLICO noticiou que a primeira prova do concurso externo para futuros diplomatas gerou polémica pela quase ausência de questões relacionadas com tratados internacionais, História de Portugal, Geografia ou até regras de etiqueta. 

Num post intitulado As necessidades do Trivial Pursuit, publicado no blogue Estado Sentido, três dos candidatos à categoria de adido de embaixada questionaram "as opções de resposta algo obscuras". E argumentaram que a prova de cultura geral falhou o objectivo de selecção de potenciais diplomatas, ao passar ao lado de "dados históricos" essenciais. 

Contactado pelo PÚBLICO, um dos autores do blogue e candidato ao concurso do MNE, Samuel de Paiva Pires, deu alguns exemplos que deixaram muitos dos examinados surpreendidos: "Perguntava-se por que ficou conhecida D. Filipa de Vilhena; de quem é a frase "Como é diferente o amor em Portugal"; em que autor é que Eça de Queirós se inspirou para escrever o seu primeiro romance; quem foi o compositor da "sinfonia inacabada"; o que é um amigo do alheio; quem realizou O Pai Tirano; o que é um cefalópode e, viajando da Terra a Urano pelo caminho mais curto, qual seria o planeta por que passaríamos." 
A polémica em torno do exame levou também o ex-embaixador
Francisco Seixas da Costa a questionar, no seu blogue, a eficácia da prova: "Quem tem a pretensão de vir a representar Portugal pelo mundo deve possuir uma razoável cultura geral, bem para além das temáticas da profissão. Resta saber se é a através de testes americanos, e especificamente dos que foram aplicados, que isso se avalia." 

O PÚBLICO questionou o MNE sobre o anúncio da repetição da prova a 20 de Abril, inquirindo nomeadamente se esta se devia à polémica noticiada ou a uma eventual taxa de chumbo acima do normal. Em resposta, a tutela explicou que a repetição do exame estava "exclusivamente" relacionada com o problema apontado no comunicado. "Qualquer outro motivo é pura especulação", acrescentou.