Casa da Música não aguentará “qualquer corte suplementar”

Valente de Oliveira, o presidente do Conselho de Fundadores da Casa da Música, está confiante na solução encontrada para a gestão da instituição mas avisa que qualquer corte para além dos 30% “será muito negativo”.

Foto
Valente de Oliveira espera que o corte de 30% nos apoios do Estado seja “o máximo do máximo dos cortes” Paulo Ricca

Figura central na procura de uma solução para a recente crise que levou à demissão do administrador delegado, Nuno Azevedo, Valente de Oliveira espera que o corte de 30% nos apoios do Estado seja “o máximo do máximo dos cortes”. A partir daí a Casa corre o risco de se transformar “noutra coisa”.

“Em relação a isso estou mais preocupado com o país (...), é preciso que não haja cortes a nível central” afirmou, acrescentando que “aí é que começa a ser um exercício muito complicado”.

“Espero que não se peça demais às pessoas e às instituições”, disse ainda.

Para já, com um novo Conselho de Administração (CA) presidido por Dias da Fonseca, as “coisas estão a correr bem e já se está a pensar na programação de 2014”.

Até porque, como lembra Valente de Oliveira, “para já não há corte nenhum porque o Conselho de Fundadores tomou a decisão de que o milhão faltoso fosse retirado às reservas”.

“Este ano roemos um milhão, mas para o ano tem de ser uma reformulação da programação, porque nós não podemos roer as reservas todos os anos, tem de se escolher e o CA está muito consciente disso”, afirmou. Vai ser preciso seguir “uma política de poupança que não tem de ser só do CA, tem que percorrer toda a gente, desde os que estão na bilheteira até aos que estão no palco”.

O presidente do Conselho de Fundadores, que tinha acabado de tomar posse quando eclodiu a crise na instituição, diz que está afastado o cenário de extinção dos agrupamento residentes.

“Cada agrupamento tem o seu lugar e está fora de causa que nós desliguemos o funcionamento de qualquer em deles”, afirmou, lembrando que “o que fez a imagem da Casa da Musica foi a diversidade”.

Valente de Oliveira, que tinha acabado de tomar posse quando eclodiu a crise na instituição, mostra-se empenhado “em continuar a fazer o esforço de encontrar novos fundadores” e acha que “ainda há margem para isso, modelando os tipos de patrocínio”.

“Se uns podem dar 25 mil euros, outros só podem dar 10 mil, para nós tudo é bom, nem que sejam mil. Mil, multiplicados por 100, são 100 mil...” acrescenta.

Por outro lado considera que “o diálogo com o Governo não foi complicado e até foi razoavelmente rápido na definição dos delegados” para o CA, embora pelas conversas mantidas tenha percebido “que a situação em matéria de subsídios não vai ser famosa”.

O antigo ministro de Cavaco Silva empenhou-se para que alguns elementos da secretaria de Estado da Cultura, ligados à área financeira, visitassem a Casa da Música durante um “para verem bem o funcionamento extremamente activo desta casa, com actividades contínuas de manhã à noite porque uma coisa é conhecer dos relatórios, outra coisa é conhecer das vivências das situações”.

Valente de Oliveira, que ainda só passou pelas noites de clubbing – “Não sei se os meus cabelos brancos não levantam críticas nos outros” – lembrou que um estudo mandado fazer por Serralves põe “a Casa da Música em primeiro lugar como elemento de atracção do Porto isso tem um valor económico muito grande”.

O “meteorito”, que um dia caiu na rotunda da Boavista, como afirmaram alguns dos seus detractores, é hoje para Valente de Oliveira um valor garantido,”um serviço de arte no Porto mas também é um serviço de educação”.

“O ‘meteorito’ transformou-se em instrumento de desenvolvimento interno, das pessoas e externo, porque projecta a cidade para fora”, concluiu.

Sugerir correcção
Comentar