Huzzah Vintage/Flickr
Foto
Huzzah Vintage/Flickr

Estamos a comprar mais roupa usada (e a gostar disso!)

Crise e ecologia influenciam o consumo de roupa usada entre jovens. “É uma tendência que também veio para ficar em Portugal”, garante a consultora de imagem Mónica Lice

A compra de roupa em segunda mão tem vindo a aumentar nos últimos anos, essencialmente entre os jovens, devido à crise e à consciência ecológica, afirmaram à agência Lusa representantes de lojas e especialista de moda. Os clientes são atraídos, em grande parte, pelos preços baixos, constataram estes profissionais.

André Figueiral, representante da loja Associação Humana, que vende roupa doada, cujos lucros revertem a favor dos países carenciados ajudados por aquela organização, afirmou que “é a crise que leva as pessoas a comprar roupa em segunda mão”.

Há um incremento de clientes, mas não de vendas, que se traduz em “mais clientes a gastarem menos”, observou André Figueiral, em declarações à Lusa. Contudo, segundo a consultora de imagem e criadora do blogue Mini-Saia, Mónica Lice, “não é só o poupar dinheiro, mas também o facto de não ter que se produzir mais e mais coisas”, levando a um aumento da consciência ecológica no mundo da moda, um dos sectores mais poluentes.

Mudança de mentalidade

Exemplo disso é a política “Lixo 0” adoptada pela loja Humana, em que tudo é reciclado. Com esta medida, “conseguimos que um produto, que à partida seria lixo, seja 100% recuperado”, seja através da venda, da doação ou da reciclagem de têxteis danificados a serem posteriormente reutilizados, salientou André Figueiral.

As mentalidades também mudaram no que toca à forma como é vista a comercialização de roupa usada. No início do LX Market, um mercado com o conceito a que Teresa Lacerda, representante de comunicação e marketing, chama “a segunda mão de primeira”, havia “muito mais o juízo de valor”, porque se pensava que “ir para o mercado para vender era ser, obrigatoriamente, feirante”.

No entanto, agora as pessoas “acham interessante a ideia de vender neste mercado”, porque “um dia são vendedores e, no outro, compradores”. Além disso, o público actual é um público informado e que “conhece outros mercados lá fora, sabe o que quer e os preços que procura”, explicou Teresa Lacerda.

Ideias que vêm do estrangeiro

André Figueiral confirmou à Lusa esta realidade e sublinhou que alguns dos clientes são “as pessoas que moraram fora do país”. A utilização de roupa em segunda mão também está ligada à tendência ‘vintage’.

Carla Belchior, da loja “A Outra face da lua”, dedicada a este estilo de moda, que assenta na recuperação de peças antigas, referiu que esta é uma tendência internacional e está a crescer”, o que “tem mesmo a ver com posturas do século XXI”.

A representante da marca, que já conta com quatro lojas em Lisboa, julga que são também os jovens que aderem mais ao ‘vintage’, já que “uma pessoa de 30 e tal anos está familiarizada com roupa dos anos 80 e 90” e “para os jovens será tudo mais ou menos novo”.

Enraizada em cidades como Londres e Tóquio, esta “é uma tendência que também veio para ficar em Portugal”, assegurou a consultora de imagem Mónica Lice.

“Sobretudo nas camadas mais jovens, já se está a criar uma maior sensibilização para a comercialização de roupa em segunda mão”, constatou a ‘blogger’, referindo que a tendência ‘vintage’ também pode ser uma alternativa para quem procura um estilo único.

A utilização de roupa e acessórios antigos, que tenham pelo menos 20 a 25 anos de idade, “é uma das formas de nos demarcarmos” em termos de individualização, garantiu.

Sugerir correcção