Almada Negreiros reinterpretado numa exposição de arte urbana

A inauguração este domingo da exposição colectiva assinala o aniversário dos 120 anos do nascimento do artista.

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Painel de Fidel Évora onde o artista trabalhou o tema da Comedia dell’Arte, e as suas personagens de arlequins, columbinas e pierrots. DR
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Painel de João Samina inspirado no painel ”Recomeçar” (1968-69) que Almada Negreiros fez para a sede da Fundação Calouste Gulbenkian DR
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Painel de Mário Belém, que explorou a representação do feminino, nomeadamente na pintura decorativa de Nu do Bristol Club DR
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Painel de Miguel Januário, inspirado no “Manifesto Anti-Dantas” DR
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Pormenor do painel de Miguel Januário DR
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Painel de Pantónio, inspirado no trabalho de Almada Negreiros nas gares marítimas de Alcântara e da Rocha do Conde de Óbidos DR
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Painel de Pedro Baptista, no qual o jovem artista explorou os auto-retratos de Almada Negreiros DR
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"Fiz um retrato de Almada, com um registo fotográfico, que é a minha interpretação dele enquanto artista" DR
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Painel de Tâmara Alves inspirado nos figurinos de moda de Almada Negreiros DR

A exposição Almada por Se7e, inaugurada hoje no Largo da Oliveirinha (Calçada da Glória), propõe um diálogo entre a obra vanguardista de Almada Negreiros (1893-1970), nascido em São Tomé e Príncipe há 120 anos, e sete artistas do século XXI.

A Galeria de Arte Urbana (GAU), da Câmara Municipal de Lisboa, responsável pela curadoria da exposição, convidou os portugueses Fidel Évora, João Samina, Mário Belém, Miguel Januário, Pantónio, Pedro Batista e Tâmara Alves a reinterpretar temas ou obras emblemáticas de Almada Negreiros, como a Commedia dell’Arte, a abstracção geométrica, a representação do nu feminino, o Manifesto Anti-Dantas, os painéis das gares marítimas de Lisboa, os auto-retratos e os figurinos de moda.

Sílvia Câmara, directora-adjunta da GAU, disse ao PÚBLICO que os artistas convocados para o projecto estavam de início receosos perante a responsabilidade de reinterpretar a obra de Almada mas rapidamente se aperceberam de que bastava “fazer o que lhes era natural, visto que a sua obra se relaciona de alguma forma com a de Almada, mesmo sem terem consciência disso”.

João Samina trabalhou o tema da abstracção geométrica, nomeadamente o painel Recomeçar (1968-69) da entreada do edifício sede da Fundação Calouste Gulbenkian, a última obra criada por Almada Negreiros. A Fidel Évora foi atribuído o tema da Commedia dell’Arte, e as suas personagens de arlequins, columbinas e pierrots, pelo facto de “ter uma inspiração circense nas suas peças”, justifica Sílvia Câmara. Tâmara Alves inspirou-se nos figurinos de moda de Almada Negreiros sublinhando a “dimensão felina do feminino e a relação erótica com os figurinos”, explica a directora-adjunta da GAU.

A equipa da Galeria de Arte Urbana, responsável pela curadoria da exposição, sugeriu a Miguel Januário que trabalhasse a partir dos textos de intervenção de Almada Negreiros, em particular o Manifesto Anti-Dantas. Mário Belém explorou o tema da representação do feminino, nomeadamente na pintura decorativa de Nu, do Bristol Club, e Pantónio inspirou-se no trabalho de Almada Negreiros nas gares marítimas de Alcântara e da Rocha do Conde de Óbidos. Pedro Baptista explorou os auto-retratos do artista na sequência do trabalho que faz com a figura humana e retratos.

Apesar de se considerar um “artista plástico e pintor à maneira antiga”, Pedro Baptista, 32 anos, aceitou com satisfação o convite de trazer para a rua aquilo que faz na tela. Nesta que foi a sua primeira colaboração com a GAU criou três auto-retratos do artista futurista, com os quais pretendeu fazer uma “retrospectiva da figura de Almada e do seu valor”. Num deles, deu preferência "à maneira como ele se via a si próprio. Há uma referência forte à linha e expressão do próprio Almada Negreiros". Noutro fez "um retrato de Almada, com um registo fotográfico, que é a minha interpretação dele enquanto artista". No último retrato representou-o "não tanto enquanto artista mas mais enquanto homem, já com as suas rugas”, explica.

Sílvia Câmara considera que esta iniciativa permitiu aos jovens artistas “descobrir a obra de Almada Negreiros e simultaneamente encontrar o seu caminho”. “É importante que eles percebam que nunca caminham sós e que aquilo que produzem hoje tem uma ligação mais directa com os autores do passado do que aquilo que pensam. É altamente inspirador perceber que houve no passado artistas que fizeram uma ruptura e que hoje podemos continuar a fazer essa ruptura”, explica.
 
 

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