Passos e Gaspar terão levado segundo resgate a Cavaco

Apesar de haver indicações de que o ministro das Finanças pôs o lugar à disposição, Gaspar foi a Belém com Passos para discutir soluções para o chumbo do TC.

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Embora haja indicações de que o ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, colocou este sábado o seu lugar à disposição, a sua saída não se deverá concretizar. Esse é pelo menos o sinal do facto de ter acompanhado o chefe do Executivo na parte final da reunião urgente que este último teve no palácio de Belém ao final da tarde.

Entre as soluções para contornar as grandes dificuldades com que o Executivo agora se debate depois do chumbo pelo TC de normas que valem cerca de 1300 milhões de euros.

O PÚBLICO apurou que a possibilidade de um segundo resgate está em cima da mesa.

É na procura de uma saída que Passos Coelho está empenhado e é essa a motivação que o leva a recorrer a Cavaco Silva num espírito de cooperação e não de confrontação.

Passos Coelho chegou ao palácio de Belém quando ainda na Presidência do Conselho de Ministros, pelas 19h, o secretário de Estado Luís Marques Guedes lia um comunicado da reunião extraordinária em que anunciava o pedido de audiência urgente ainda para hoje, já Passos Coelho se dirigia para Belém. O primeiro-ministro só deixou o palácio pelas 20h20, pelo portão lateral da Calçada da Ajuda.

O Presidente da República tem sido um defensor da estabilidade governativa e da manutenção do actual Governo em funções. Ainda esta semana, quando confrontado pelos jornalistas com o cenário de uma crise política, Cavaco sublinhou que o executivo de Passos Coelho está a meio do mandato.

A solução para resolver o problema do chumbo do TC não será fácil porque o Governo não tem dinheiro para fazer face ao buraco orçamental criado.

A solução política dificilmente passará por eleições, mas também afasta uma hipótese de trazer o PS para o Governo. Até porque o líder socialista, António José Seguro, tem reafirmado diariamente que só fará parte de um Governo quando for a votos.

A maioria PSD/CDS ficou ontem perplexa com as declarações de Seguro sobre a solução para o problema criado pelo TC. "Quem criou o problema que o resolva", respondeu Seguro. No entanto, o CDS não quer excluir os socialistas do consenso político.

O chumbo do TC foi um balde de água fria nas expectativas do Governo. O executivo tem realçado a importância do regresso aos mercados e contava nas próximas semanas colocar dívida no mercado no prazo de 10 anos.

Com esta decisão do TC, também fica em causa a negociação das maturidades dos prazos dos reembolsos que Portugal terá de pagar no próximo ano e que se iniciavam nesta semana.