Reacções à demissão de Miguel Relvas

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Daniel Rocha

As reacções à demissão de Miguel Relvas, ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, que esteve no cargo menos de dois anos e era considerado o braço-direito político de Passos Coelho.

Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD
Queria transmitir-vos que compreendemos a decisão do ministro Miguel Relvas e que, em nome do grupo parlamentar do PSD, temos um grande reconhecimento e apreço pelo trabalho do ministro Relvas. Entendemos que as tarefas que lhe foram adstritas foram cumpridas com dedicação."

Eduardo Catroga
"O senhor primeiro-ministro não podia actuar politicamente sem o senhor ministro da educação fazer uma investigação. Essa investigação demorou o seu tempo e tanto quanto eu percebi chegou agora ao fim e o ministro Relvas resolveu pedir a sua demissão. São os timings em função da burocracia do processo. Em função desses resultados concretos o próprio Relvas decidiu apresentar a demissão. Acho que ele próprio já devia ter tomado a iniciativa há bastante tempo .".

Miguel Tiago, deputado do PCP
“Relvas já foi, faltam os outros”, comentou o deputado comunista, no final da sua declaração política no plenário da Assembleia da República, quando foi conhecida a demissão do ministro dos Assuntos Parlamentares, através de vários órgãos de comunicação social.

António Capucho, PSD
"Acho despropositado que Miguel Relvas tenha feito um auto-elogio em relação a dossiers que são autênticos desastres. Este Governo não vai recuperar o fôlego só por ter saído Miguel Relvas, o primeiro-ministro não pode esperar mais tempo para fazer uma remodelação profunda."
 
João Oliveira, deputado do PCP
"Há muito tempo que não tinha condições para ser ministro. Era um ministro fragilizado, é um Governo fragilizado pelas consequências das suas políticas. Esta demissão comprova que trata-se de um governo fragilizado e que trata-se de um governo que é possível derrotar. (...) Nós temos uma expectativa de que a demissão de Relvas irá ser acompanhada da demissão do Governo."

Nuno Magalhães, líder parlamentar do CDS:
"A relação entre o Governo e os partidos da maioria não sai prejudicada. O CDS respeita a decisão de que hoje tomou conhecimento e sublinha que o ministro Miguel Relvas sempre teve uma relação leal e correcta com o grupo parlamentar do CDS."

Cecília Honório, deputada do BE
"A demissão de Miguel Relvas peca por tardia. É um sinal óbvio da desagregação do Governo, o ministro que foi a alma do governo sai por falta de ânimo. Do ponto de vista da opinião pública, ele  está morto há muito tempo. As causas e o tempo escolhido para a demissão de Miguel Relvas têm de ser conhecidas porque que o senhor ministro nos disse foi que foi tudo óptimo. Se estava tudo tão bem porque é que saiu?"

Mota Andrade, deputado do PS
"Estamos surpreendidos pela demissão de um ministro (...) Miguel Relvas não é um ministro qualquer, é o braço direito do primeiro-ministro. E isto diz muito sobre o estado do Governo, que é um Governo em negação e em desagregação. Aconselhamos o primeiro-ministro a seguir o caminho de Miguel Relvas. É urgente que o primeiro-ministro e o Governo expliquem o porquê da demissão de Miguel Relvas."

José Luís Ferreira, deputado do PEV
Esta demissão vem mostrar a fragilidade deste Governo e acentuar o estado de coma em que se encontra. O ex-ministro não disse os motivos que o levaram à demissão. Independentemente de estar ou não relacionada com a sua licenciatura, e se é verdade que o ministro da Educação já tinha o relatório há dois meses, então creio que [Nuno Crato] deve uma explicação ao país, que justifique estes dois meses de relatório na gaveta."

Vice-presidente da Associação Nacional de Freguesias (Anafre), Paulo Quaresma
“Por si só, a demissão do ministro não resolve o problema das freguesias. Mas queremos manter a esperança que a saída leve atrás o recuar de um conjunto de medidas contra as freguesias que, por consequência, trazem prejuízos para as populações”.

Miguel Pais do Amaral, Presidente da Media Capital:
"Na situação que o país está a atravessar, qualquer momento de instabilidade é negativo. Porém, se esta demissão contribuir para dar mais estabilidade ao Governo é boa para o país."

Boaventura Sousa Santos, sociólogo:

"A declaração de Miguel Relvas é uma declaração política patética, ridícula e degradante para quem tem de a ouvir. Eu penso que isto mostra uma degradação do Governo. Se Passos Coelho tivesse bom senso, saía também. A remodelação governamental não pode ser apenas do ministro Miguel Relvas."

Rui Solheiro, vice-presidente da ANMP:

"Este foi o pior Governo, para o poder local, desde o 25 de Abril. A minha análise não pode ser mais negativa. A demissão do ministro podia ser positiva para o poder local se houvesse alteração de política, mas não parece que seja isso que está em causa."  

Ângelo Correia, PSD:

“A remodelação já se iniciou e a saída de Miguel Relvas é a primeira parte (…) Como eu acho que a remodelação deveria ter lugar na próxima semana, antes da saída do Presidente da República para a América do Sul, a saída antecipada de Miguel Relvas não tem qualquer efeito na estabilidade do Governo”.