Ikea suspende venda de salsichas em Portugal devido a carne de cavalo

Suspensão chegou a cinco países europeus. Almôndegas não tinham vestígios de carne de cavalo.

A IKEA Portugal mandou analisar o lote de almôndegas que pode ter carne de cavalo. Para já, o alimento deixou de estar à venda nas lojas
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A IKEA Portugal mandou analisar o lote de almôndegas que pode ter carne de cavalo. Para já, o alimento deixou de estar à venda nas lojas SERGIO AZENHA

O grupo Ikea suspendeu nesta quarta-feira a venda de salsichas em cinco países europeus, incluindo Portugal, depois do fornecedor sueco ter encontrado vestígios de carne de cavalo em lotes destas salsichas.

“As salsichas foram outro alimento onde se encontrou vestígios de carne de cavalo”, explicou ao PÚBLICO Ana Teresa Fernandes do gabinete de comunicação da empresa sueca de mobiliário Ikea. A venda das salsichas foi ainda suspensa em França, Espanha, Reino Unido e Irlanda.

Apesar dos lotes de salsichas – utilizados para a produção de cachorros-quentes – serem provenientes de vários fornecedores, e apesar de só se ter encontrado ADN de carne de cavalo nos lotes do fornecedor sueco, ainda assim “a suspensão da venda de salsichas é total”, assegura Ana Teresa Fernandes.

Este já é o segundo alimento que a Ikea suspende a venda por causa da fraude europeia da carne de cavalo. Antes, o grupo já tinha interrompido, na segunda-feira, a venda de almôndegas por se ter encontrado vestígios de carne de cavalo em lotes produzidos pelo mesmo fornecedor sueco, que foram inicialmente descobertos na República Checa.

Na sexta-feira passada, a Ikea retirou o lote deste fornecedor sueco das lojas portuguesas e enviou uma amostra para análise. O resultado das análises, divulgados nesta quarta-feira, não mostrou qualquer vestígio de carne de cavalo. A empresa vai continuar a fazer análises a vários produtos alimentares processados. A duração da suspensão da venda dos alimentos é, para já, indeterminada.

O escândalo alimentar iniciou-se em Janeiro no Reino Unido onde se encontraram lasanhas da marca Findus feitas de carne de cavalo. Desde então, que se verificou que a fraude económica toca muitos países europeus, incluindo Portugal, e traz a lume a complexa e obscura rede de produção, processamento e carne que existe na Europa.

Nesta terça-feira a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) admitiu ter instaurado cinco processos-crime a estabelecimentos nacionais industriais de preparação, embalamento e distribuição de carnes para o retalho.

Das 134 amostras alimentares analisadas, a ASAE encontrou ADN de cavalo em 13. Já foram retirados do mercado 79 toneladas de carne processada e 18.839 embalagens de carne processada de origem estrangeira. Não se sabe ainda se a carne era produzida no país ou importada.

Rotulagem discutida em Bruxelas
Uma das principais questões que este escândalo levantou foi a da rotulagem dos produtos de carne processada. Muitos defendem que se a rotulagem de uma lasanha descrever além dos ingredientes, a origem das carnes, haverá mais transparência e será mais difícil colocar na cadeia de fabrico destes alimentos processados carne de cavalo ilegal. Até agora, a ausência da origem das carnes na rotulagem era justificada por uma questão de competitividade entre os países europeus.

Em Bruxelas, a reunião de dois dias dos ministros de Agricultura da União Europeia que terminou nesta terça-feira adiantou pouco em relação a este tema, um dos vários assuntos discutidos.

“Várias delegações pediram à Comissão para antecipar um relatório sobre a rotulagem da origem da carne utilizada como ingrediente dos produtos de carne processada, cuja publicação tinha sido agendada para Dezembro deste ano [2013], e consideraram que uma rotulagem obrigatória da origem [das carnes] poderia contribuir para o restabelecimento da confiança do consumidor. Outras delegações relembraram que os casos actuais de fraude não poderiam ter sido prevenidos com mais legislação”, lê-se no comunicado de imprensa sobre a reunião, publicado nesta quarta-feira.