IKEA suspende venda de almôndegas em Portugal devido à carne de cavalo

Lote de almôndegas vendidos pela IKEA na República Checa com carne de cavalo levou à suspensão da sua venda em quase todos os países europeus onde a empresa tem lojas. Nesta terça-feira sabem-se os resultados da análise.

O escândalo da carne de cavalo escondida em alimentos europeus continua a alargar-se. Nesta terça-feira soube-se que esta fraude também afectou a empresa sueca de mobiliário IKEA. Na República Checa, foi encontrada carne de cavalo num lote de 760 quilos de almôndegas congeladas, um dos produto que a IKEA vende na zona de mercado das suas lojas. A descoberta fez com que o grupo suspendesse a venda deste produto na maioria dos países onde tem lojas, incluindo Portugal.

“O grupo IKEA decidiu suspender temporariamente a venda de almôndegas nas suas lojas em todos os países da Europa, excepto na Noruega, Rússia, Suíça e Polónia”, lê-se num comunicado enviado para as redacções. De manhã, o gabinete de comunicação já tinha explicado ao PÚBLICO que na sexta-feira passada tinha sido retirado um lote de almôndegas congeladas que pertencia ao mesmo fornecedor do lote da República Checa.

“Já tínhamos retirado as almôndegas desse lote na sexta-feira”, disse Ana Teresa Fernandes, relações-públicas da IKEA Portugal, segundo a qual a IKEA já enviou uma amostra deste lote para análise, para verificar se existe nela, de facto, carne de cavalo. Os resultados da análise só estarão prontos nesta terça-feira à tarde.

Este lote não terá chegado a entrar nas três lojas da IKEA do país, Alfragide, Loures e Matosinhos. “Só sei que não estava em Alfragide”, disse, acrescentando que, tanto quanto sabe, o lote só tinha sido distribuído pelas almôndegas congeladas que se vendem no mercado e não nas refeições dos restaurantes das lojas.

As almôndegas suecas vendidas pela IKEA são feitas com carne de porco e de vaca. Além de Portugal, o lote de carne foi retirado em lojas IKEA de vários países europeus: Bélgica, Chipre, Eslováquia, Espanha, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Reino Unido.

“A IKEA não aceita quaisquer outros ingredientes além dos que estão estipulados nas nossas receitas e especificações, garantidos através de padrões estabelecidos, certificações e análises em laboratórios credenciados”, lê-se num comunicado.

Nas últimas duas semanas, a empresa tem vindo a rastrear “todos os produtos de carne que comercializa” em Portugal. Já foram mandadas analisar 12 amostras de almôndegas, que “não mostraram qualquer vestígio de carne de cavalo”, acrescenta ainda o comunicado.

A fraude da carne de cavalo começou em Janeiro, quando se descobriram no Reino Unido lasanhas da marca Findus que deveriam ser de carne de vaca, mas que tinham 100% de carne de cavalo. À medida que se foi encontrando carne de cavalo em alimentos transformados noutros países da Europa, como na Alemanha e na França, foi-se percebendo a dimensão da fraude, que torna a produção destes alimentos mais barata.

Em Portugal, já foi encontrada carne de cavalo na lasanha comercializada pela Nestlé em exclusivo para hotéis e restaurantes, em lasanha da marca EuroShopper que esteve à venda nas lojas Recheio e noutros casos pontuais.

Há duas semanas, o Comité da Cadeia Alimentar e Saúde Animal da União Europeia aprovou um plano para despistar a presença de carne de cavalo não-declarada em alimentos por toda a Europa. Um dos problemas em cima da mesa e que o Presidente francês, François Hollande, quer ver alterado é a referência da origem das carnes nos produtos transformados. Até agora, os produtos de carne transformada só eram acompanhados da informação da percentagem de cada tipo de carne e não da origem, aumentando a competitividade entre os países europeus. Mas a crise da carne de cavalo pode mudar este paradigma e pôr a informação do lado do cidadão.