Bruno de Carvalho ameaça Godinho Lopes com tribunal

Em dia de oficialização da sua lista para as eleições no Sporting, empresário alerta para candidatura(s) de última hora, manobradas por poderes “que querem continuar a dominar o clube na sombra”

Bruno de Carvalho avança pela segunda vez para as eleições do Sporting
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Bruno de Carvalho avança pela segunda vez para as eleições do Sporting Nuno Ferreira Santos

Após alguma contenção nas palavras no lançamento da sua candidatura, há duas semanas, Bruno de Carvalho assumiu nesta quarta-feira uma atitude de total ruptura em relação aos dirigentes que têm liderado o Sporting nos últimos anos.

Na apresentação oficial das listas aos corpos sociais “leoninos”, perante uma sala repleta de apoiantes, o empresário ameaçou a direcção demissionária, presidida por Godinho Lopes, com os tribunais se vier a ser eleito e encontre uma situação de ruptura financeira no clube.

Bruno de Carvalho alertou ainda para candidaturas concorrentes à sua, que estarão a ser formadas “em poucas horas”, estimuladas pela banca credora do clube, para dividir os votos. “Denunciaremos qualquer candidatura que não seja clara perante quem os move, domina e apoia. Está na altura de quem quer continuar a dominar o clube na sombra, sejam instituições financeiras ou de auditoria, dar a cara e assumir claramente que querem esse poder”, avisou Bruno de Carvalho, momentos depois de ter formalizado a sua candidatura nas instalações do clube, sem apontar o dedo a nenhum dos anunciados adversários (José Couceiro e Carlos Severino). Palavras bem acolhidas pelos apoiantes que o aguardavam na sua sede de campanha eleitoral, instalada no centro comercial Alvaláxia, tal como há dois anos, quando se apresentou pela primeira vez à corrida presidencial.

“Não aceitaremos fazer parte de uma nova mentira que se quer passar aos sportinguistas, criando listas formadas em poucas horas, com o intuito de dividir votos, para que o presidente eleito não tenha a força suficiente para promover as reformas necessárias para se iniciar um novo ciclo. Uma tentativa de criar um novo presidente a prazo que, com uma votação fraca, fique sempre refém dos poderes que insistem em controlar este clube nos últimos anos e que, apesar dos resultados desastrosos alcançados, não querem abdicar do mesmo”, adiantou, garantindo que, caso se confirme este cenário, irá prontamente denunciá-lo: “Informarei os sportinguistas, de uma forma detalhada, acerca do modo como este processo de construção de listas alternativas à minha tem sido feita.”

Preparado para difamações

Bruno de Carvalho deixou ainda alguns recados para a direcção cessante, que tem avisado para a necessidade de uma injecção urgente de capital no clube no curto prazo para fazer face aos seus compromissos, nomeadamente salariais. “Não cederemos a chantagens de muitos milhões para fazer face [a necessidades financeiras] em Março, Abril ou Junho. Pois não podemos ter sempre os antigos dirigentes, responsáveis por nos conduzir a esta lamentável situação em que nos encontramos, a semearem o pânico do caos, quando todos juntos deixaram um passivo de mais 400 milhões de euros acumulados. São eles os verdadeiros aventureiros que nos levaram a este estado de quase ruína”, explicou.

Caso seja eleito e venha a encontrar no clube uma situação de ruptura financeira, Bruno de Carvalho deixa uma promessa: “Não podemos aceitar que uma direcção se vá embora com ordenados e pagamentos em atraso. Se tal vier a suceder, o nosso primeiro acto de gestão será responsabilizar cível e criminalmente todos os membros da direcção cessante por má fé e gestão danosa.” Os apoiantes na sala gostaram e aplaudiram sonoramente.

Depois da experiência nas últimas eleições, em 2011, marcadas pela polémica e troca de acusações entre os candidatos, o empresário diz estar preparado para novos ataques pessoais. “Tenho consciência de que, infelizmente, serei novamente alvo de uma campanha negra, de difamações e calúnias, com as mais variadas histórias que me tentarão denegrir, para assustar tudo e todos”, alertou. “Estas campanhas difamatórias só ocorrem durante processos eleitorais e nunca com provas ou factos que as validem”, acrescentou.

A Lista

Conselho Directivo (presidente)

Bruno de Carvalho

Vices

Artur Torres Pereira (Vice expansão e núcleos)

Carlos Vieira (Vice área financeira)

Vicente Moura (vice modalidades)

Vítor Ferreira (vice património)

António Rebelo

(vice comunicação, marca e reputação)

Conselho Fiscal

Jorge Bacelar Gouveia (presidente)

Óscar Figueiredo (vice)

Mesa da Assembleia Geral

Jaime Soares (presidente)

Rui Solheiro (vice)

Conselho Leonino

João Trindade (cabeça-de-lista)