Quercus diz que lampreia no rio Vouga continua em risco e defende controlo das capturas

Associação pede maior vigilância da GNR sobre situações de pesca ilegal e obras que reponham os circuitos de migração da espécie.

Quercus defende a descarga em lota da lampreia capturada, para maior controlo por parte das autoridades
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Quercus defende a descarga em lota da lampreia capturada, para maior controlo por parte das autoridades Adriano Miranda

A Quercus defendeu esta terça-feira um controlo apertado das capturas de lampreia no rio Vouga, a criação de um selo de certificação e a obrigatoriedade de descarga em lota, para garantir a preservação da espécie.

Em vésperas da realização de um festival gastronómico em Sever do Vouga, patrocinado pela Região de Turismo Centro Portugal, aquela organização ambientalista considera que, de acordo com as informações de que dispõe, a situação não melhorou desde 2009, altura em que alertou para os riscos de extinção da lampreia-marinha no rio Vouga.

“As capturas por meios ilegais continuam sem qualquer controlo, apesar de sabermos que o SEPNA [Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente] da GNR e o ICNF [Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas] efectuam algumas acções de fiscalização nas zonas de pesca, mas muito aquém do que seria necessário”, refere Paulo Lucas, da Quercus.

A zona de pesca profissional do rio Vouga dispõe de 35 licenças especiais para pescadores profissionais, mas continua a verificar-se pesca praticada por quem não está licenciado e mesmo por meios ilegais.

Paulo Lucas diz que é preciso garantir um registo fidedigno das capturas, para salvaguardar o recurso económico que é a lampreia-marinha, e sugere que as entidades envolvidas no festival gastronómico podem “dar um forte contributo na criação de um selo de certificação” da denominação de origem e da sustentabilidade do pescado. “Seria uma medida eficaz para evitar ilegalidades e a sobrepesca e uma garantia para o consumidor de que não está a contribuir para a extinção da espécie”, diz.

Aquele dirigente da Quercus considera essencial “um controlo apertado de capturas, recorrendo, se possível, à obrigatoriedade de descarga em lotas em locais a definir, e com uma fiscalização apertada da Guarda Nacional Republicana aos que exercem a actividade sem estarem licenciados”.

À sobrepesca, segundo a Quercus, juntam-se ainda outras ameaças, nomeadamente a interrupção das rotas migratórias, provocada pela instalação de obstáculos que impedem a passagem jusante-montante, a extracção de inertes, a destruição da vegetação ribeirinha, a perturbação dos locais de desova e a poluição da água.

Um desses obstáculos é a captação de água do Carvoeiro, que abastece a cidade de Aveiro e outros municípios da região, pelo que aquela organização defende que seja criado um programa, preparando já o próximo Quadro Comunitário de Apoio, para reconectar os cursos de água na sua totalidade. O objectivo é remover obstáculos à passagem dos peixes, nomeadamente os açudes e pequenas barragens existentes, ou instalar passagens adequadas, nomeadamente fazendo a adaptação do represamento da captação do Carvoeiro ou a total conexão dos rios Águeda e Alfusqueiro, bem como definir zonas de protecção, reabilitando a vegetação ribeirinha e recuperando as áreas de desova.