O “clássico” vale mais do que três pontos mas não vai decidir nada

Benfica e FC Porto defrontam-se pela 224.º vez em provas oficiais. Quem vencer ganha vantagem importante, mas não decisiva. E recebe também uma dose extra de motivação para o resto da Liga.

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O Benfica-FC Porto desta noite promete ser um jogo muito equilibrado Nuno Ferreira Santos

Se há jogo que vale mais do que três pontos é este. O Benfica-FC Porto deste domingo, no Estádio da Luz, pode não decidir quem vai ser o campeão desta época, mas irá dar um extra de motivação a quem vencer num campeonato que ainda não vai a metade. Tudo porque os dois rivais têm tido um percurso muito igual nas 13 primeiras jornadas e o Benfica só está na frente porque tem mais um jogo (o V. Setúbal-FC Porto, da 12.ª ronda, foi adiado por causa do mau tempo).

Portistas e “encarnados” andam tão próximos um do outro neste campeonato que ambos até começaram a Liga com um empate, o Benfica com o Sp. Braga e o FC Porto com o Gil Vicente. Os portistas até ganharam uma ligeira vantagem à quarta jornada com a igualdade “encarnada” em Coimbra frente à Académica, mas, na jornada seguinte, voltaram a ficar com os mesmos pontos depois do empate dos “dragões” com o Rio Ave. Desde então, nenhum tem feito outra coisa na Liga senão ganhar e com isso já abriram uma diferença para a restante concorrência – o Sp. Braga é quem está mais próximo, com 26 pontos.

“O jogo vale três pontos. Damos mais importância pois é um clássico e são duas equipas que têm sido as vencedoras dos campeonatos em Portugal. O vencedor pode ficar mais confiante, mas não resolve nada. Se o campeonato acabasse segunda-feira resolvia, mas o campeonato só acaba em Maio e quem chegar na frente é que será campeão”, dizia ontem Jorge Jesus na antecipação do clássico, que será o 224.º jogo oficial entre as duas equipas – a última vez que uma das equipas conseguiu ser campeã sem “vencer” nenhum dos dois jogos foi na época 2005-06, com o FC Porto de Co Adriaanse a ficar com o título apesar das duas derrotas frente ao Benfica.

Será o melhor ataque, o do Benfica (35 golos marcados), contra a melhor defesa, do FC Porto (seis golos sofridos). Até agora, os “encarnados” marcaram em todos os jogos para o campeonato, enquanto os “dragões” deixaram os adversários a zero em oito dos seus 12 jogos. A representar o melhor ataque da prova está Óscar Cardozo no topo da lista de goleadores, valendo mais de um terço dos golos do Benfica (13) esta época, enquanto Jackson, nesta sua época de estreia no futebol português, marcou 11 dos 28 golos portistas.

Na última época, as duas equipas encontraram-se mais cedo na Liga pela primeira vez. Foi à sexta jornada e ambos estavam empatados e assim continuaram após o 2-2 no Dragão. No jogo da segunda volta, à 21.ª ronda, também estavam com os mesmos pontos, mas os portistas desempataram com um triunfo por 3-2 graças a um golo irregular de Maicon. Depois desta vitória na Luz, a formação de Vítor Pereira apenas perderia a liderança durante uma jornada, para o Sp. Braga.

Estes 35 pontos do Benfica são o melhor arranque de campeonato desde que Jorge Jesus chegou ao clube, mais dois do que na última época por esta altura e mais cinco que em 2009-10, a época de estreia do treinador na Luz em que viria a conquistar o título. Desde o empate em Coimbra que o Benfica só vence para o campeonato e é dos “encarnados”, que apenas cederam um empate em casa –, a melhor série vitoriosa em curso (nove). Já o FC Porto também está melhor que nos primeiros 12 jogos na última temporada (a primeira de Vítor Pereira como técnico principal), com mais dois pontos em 2012-13.

Jesus e os 12-2
A história recente dos “clássicos” na Luz dá clara vantagem ao FC Porto, que venceu cinco dos últimos dez jogos a contar para o campeonato, com dois triunfos “encarnados” e três empates, sendo que, em 78 jogos em sua casa, a vantagem é claramente do Benfica, 41 triunfos contra 14 dos portistas (e 23 empates). Um desses triunfos do Benfica foi uma goleada recorde de 12-2 que aconteceu a 7 de Fevereiro de 1943, um jogo recordado ontem por Jorge Jesus. “O que interessa é o presente. Se for o historial do Vítor Pereira, ele tem uma vitória, um empate e uma derrota com o Benfica. Se formos ver para trás, em 1943, o Benfica ganhou 12-2 ao FC Porto, mas não vamos por aí”, defendeu Jesus, que já não ganha ao FC Porto para o campeonato desde a sua primeira época no Benfica.

Antes de Jorge Jesus, Vítor Pereira também já tinha deixado as suas farpas em conferência de imprensa ao técnico do Benfica, que fez referências ao facto de o FC Porto já não estar envolvido em todas as frentes – foi eliminado da Taça de Portugal pelo Sp. Braga. “Na Liga dos Campeões acho que eles não estão, eu pelo menos não conheço o adversário do Benfica na Liga dos Campeões. Não entendi a afirmação dele, fiquei na dúvida. Não sei o que é que ele quis dizer com o estar nas competições todas”, disse o técnico portista.

Aparentemente, é o FC Porto que enfrenta este “clássico” mais debilitado. Vítor Pereira não poderá contar com dois importantes jogadores, o defesa-central Maicon e o avançado James Rodríguez, ambos lesionados. Se em relação ao central brasileiro, a opção é recorrer a Mangala, já no que diz respeito ao jovem colombiano será mais difícil encontrar alguém que garante o mesmo poder técnico e goleador – Defour é a opção mais provável, embora o técnico portista possa também recorrer ao reforço Izmailov (ou Izmaylov, como aparece escrito na sua camisola). Já Jorge Jesus irá ter a equipa praticamente na máxima força, apesar de ontem ter deixado algumas dúvidas em relação a Cardozo e Luisão – Rodrigo é a única ausência confirmada por lesão.

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