Muçulmanos e católicos franceses unem-se contra o casamento gay

Só os budistas se mantiveram à margem da discussão. Para domingo foi marcada uma grande manifestação contra a iniciativa de Hollande.

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Um beijo provocatório entre duas mulheres num protesto contra o casamento gay em França GERARD JULIEN/AFP

Os muçulmanos franceses juntaram-se ao movimento católico que combate o casamento gay na tentativa de inviabilizar a lei que o Governo socialista do Presidente François Hollande quer aprovar em Junho.

Cinquenta activistas escreveram esta segunda-feira uma carta aberta pedindo aos muçulmanos para se juntarem a uma manifestação no próximo domingo em Paris contra a iniciativa socialista. Apelo idêntico fora feito no sábado passado pela influente União das Organizações Islâmicas Francesas.

Quase todos os líderes religiosos em França (muçulmanos, católicos, judeus, ortodoxos) se pronunciaram contra o casamento de pessoas do mesmo sexo e pediram ao Governo para cancelar esta proposta legislativa. Mas poucos incentivaram os seus fiéis a marchar na grande manifestação marcada para domingo, argumentando que a campanha contra o casamento gay não deve ter um tom religioso, refere a Reuters.

Os bispos católicos, por exemplo, abstiveram-se de tecer comentários, mas oito anunciaram que estarão presentes na manifestação, 25 encorajaram os fiéis a participar e 40 defenderam o protesto, de acordo com o jornal católico La Croix.

Só a União Budista não tomou posição, com os líderes da comunidade a explicarem que Buda nunca se pronunciou sobre a questão homossexual. 

Hollande tem enfrentado a Igreja Católica e no fim-de-semana apelou a que o tema não fosse discutido com os alunos que frequentam escolas católicas (ou a catequese), considerando que as conversas se podem transformar numa discussão anti-homossexualidade.

"No dia 13 de Janeiro vamos protestar, unindo-nos a uma campanha plural que quer evitar a quebra da regra tradicional do casamento", diz a carta dos 50 activistas. "Convidamos todos os muçulmanos franceses a aderir e em grande número" contra a reforma a que o Governo chamou Casamento para Todos. "Se esta lei for aprovada, destruirá a família, as estruturas sociais e a lei civil, o que será irreversível". Assinam a carta intelectuais, empresários e religiosos que acusam Hollande de usar o casamento gay para lançar uma cortina de fumo sobre problemas sociais graves, como o desemprego.

Em França vivem cinco milhões de muçulmanos e o islão é a segunda fé no país, a seguir ao catolicismo. O Governo, que detém a maioria no Parlamento, conseguirá aprovar a lei, sendo que as sondagens de opinião feitas pela imprensa local têm mostrado que 60% da população é a favor da proposta Casamento para Todos.

A manifestação terá vários pontos de partida, espalhados por toda a cidade de Paris, mas todas as marchas terminarão num único local, a Torre Eiffel.