APAV apela à denúncia de casos de violência sobre idosos

Associação Portuguesa de Apoio à Vítima diz que há idosos internados em lares contra a sua vontade.

Só uma minoria dos que conhecem casos assume denunciá-los às autoridades
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Só uma minoria dos que conhecem casos assume denunciá-los às autoridades Paulo Pimenta

A direcção da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) concluiu, com base num estudo de opinião realizado em Novembro, que as pessoas estão sensibilizadas para os crimes cometidos contra os idosos, mas não os denunciam junto das autoridades ou de instituições de apoio, uma situação que a APAV quer ver alterada.

“Tal como aconteceu no caso dos maus-tratos a crianças e à violência sobre as mulheres, cada um terá de assumir o seu papel na protecção dos mais velhos, denunciando os casos em que estes são vítimas”, diz Maria Oliveira, assessora técnica da associação.

Os resultados do Barómetro APAV/Intercampus sobre a percepção da criminalidade e insegurança, que são apresentados nesta quarta-feira em Lisboa, indicam que dos 373 inquiridos que declararam ter conhecimento de violência ou crime exercidos contra pessoas idosas, apenas cerca de 6,7% disseram ter denunciado a situação.

No total foram ouvidas 804 pessoas acerca de vários tipos de violência sobre idosos. Destes, 10,4% afirmaram ter conhecimento de pelo menos um caso em que um idoso foi alvo de insultos, ameaças ou agressões no interior da sua própria residência; 24 % disseram conhecer situações de burla ou extorsão; 1,7% declararam saber de pessoas sujeitas a uma intervenção ou tratamento médico sem consentimento; e 12% que conheciam casos de internamento de idosos em instituições contra a sua vontade.

No inquérito, e ainda no mesmo capítulo, estavam questões sobre casos de assalto ou agressão de idosos e situações de furtos ou danos em veículos de que aqueles fossem proprietários. Reponderam ter conhecimento deles 29,7% e 11% dos inquiridos, respectivamente.

Maria Oliveira frisa que os telefonemas feitos para a linha de apoio da APAV (707 20 00 77) são gratuitos e confidenciais.