Universidade de Lisboa encerra uma das cantinas no final do ano

Alunos que frequentam o espaço são maioritariamente do ISCTE e não da instituição.

Associação de Estudantes do ISCTE queixa-se que a cantina da sua instituição não é suficiente
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Associação de Estudantes do ISCTE queixa-se de que a cantina da sua instituição não é suficiente Adriano Miranda

Oito em cada dez alunos que usufruem de uma das cantinas da Universidade de Lisboa (UL) pertencem à instituição vizinha, ao Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). Esta é a razão por que a universidade vai fechar aquele espaço. O objectivo é canalizar as verbas de acção social para os alunos da instituição à qual se destinam, explica o vice-reitor Vasconcelos Tavares.

A Cantina Nova da Universidade de Lisboa irá ser encerrada no final deste ano. A confirmação é feita pelo vice-reitor da Universidade de Lisboa, Vasconcelos Tavares, que acredita que a decisão “será favorável aos alunos da Universidade de Lisboa”.

A decisão de encerrar a Cantina Nova, que serve aproximadamente entre 600 e 700 alunos por dia, surge depois de um estudo no mês de Setembro revelar que 80% dos estudantes que usufruem do refeitório são do ISCTE.

Contra a decisão já foi criado um grupo no Facebook que conta com quase 500 membros. Alguns começaram a recolher, desde terça-feira, assinaturas contra o encerramento daquele espaço, sendo que no primeiro dia foram contabilizadas 200 assinaturas.

O vice-reitor sublinha que, apesar de polémica, esta é uma medida que pretende melhorar as condições dos serviços de acção social disponibilizados aos estudantes da UL. “Não temos absolutamente nada contra os alunos do ISCTE, mas não podemos continuar a apoiar uma outra instituição com verbas da nossa”, explica. Vasconcelos Tavares disse ainda que esta decisão foi comunicada ao reitor do ISCTE há dois meses, sendo que a reacção do mesmo terá sido, segundo o vice-reitor da Universidade de Lisboa, recebida sem problemas. “O senhor reitor mostrou compreender a decisão e disse ainda que o ISCTE inaugurou uma cantina no mês de Setembro”.

João Marecos, presidente da Associação Académica da Universidade de Lisboa, admite concordar com a decisão da reitoria, defendendo que não era sustentável deixar à responsabilidade dos serviços de acção social da UL a comparticipação de refeições a alunos de outra instituição. No entanto, não deixou de se mostrar preocupado sobre a situação dos seus colegas do ISCTE, que serão “os mais afectados”, mas apela a que o movimento que está a ser organizado recaia sobre a reitoria do ISCTE.

João Mineiro, da Associação de Estudantes do ISCTE, queixa-se de não haver, por parte das reitorias, um diálogo com as associações de estudantes. “As associações não foram consultadas, não sabemos qual é a posição do reitor no meio disto”, afirma. O aluno do ISCTE disse ainda que a cantina aberta recentemente naquele campus não tem capacidade para servir os alunos da instituição. “A avançar, esta situação irá obrigar os alunos a recorrer a bares privados ou a trazer comida de casa. Se os alunos já recorrem à Cantina Nova é porque existem sempre imensas filas e os cerca de 70 lugares desta cantina não conseguem suportar a procura”, avisa.

O dirigente associativo confessa ainda não compreender a razão de alunos de uma instituição não poderem usufruir do refeitório de outra. “Se um aluno estiver, por exemplo, a fazer um trabalho de campo ou um aluno de uma outra universidade pública quiser vir para a biblioteca do ISCTE está proibido de fazer a sua refeição numa instituição que não seja a sua?”, questiona, para responder: “Para mim, inserido numa lógica de rede de ensino público, isso não faz sentido”.

No inicio da próxima semana será tornada pública a proposta que definirá a reestruturação da Cantina Velha, mas prevê-se que comece a funcionar no início de Janeiro. 

O PÚBLICO tentou contactar o reitor do ISCTE, mas não obteve resposta.