Bacalhaus destinados ao aquário do Museu de Ílhavo chegaram... congelados

As três dezenas de peixes juvenis, com cerca de um ano de vida, e que se destinavam à nova estrutura do Museu Marítimo de Ílhavo, terão sido vítimas de negligência no transporte

Peixes chegaram envoltos em blocos de gelo
Peixes chegaram envoltos em blocos de gelo Adriano Miranda
Peixes chegaram envoltos em blocos de gelo
Peixes chegaram envoltos em blocos de gelo Adriano Miranda
Peixes chegaram envoltos em blocos de gelo
Peixes chegaram envoltos em blocos de gelo Adriano Miranda
Peixes chegaram envoltos em blocos de gelo
Peixes chegaram envoltos em blocos de gelo Adriano Miranda
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Os trinta bacalhaus que partiram esta segunda-feira da Noruega - para uma longa viagem, de avião e de transporte rodoviário -, saíram de Alesund, passaram por Oslo, aterraram em Lisboa e seguiram daqui por estrada até à cidade de Ílhavo, onde, por esta hora, já deviam estar a nadar, nos tanques de quarentena. Destinavam-se ao primeiro aquário de bacalhaus do país. Mas chegaram mortos.

A expectativa era grande, mas rapidamente passou a desilusão. Assim que se abriu a primeira caixa de transporte, já depois das 23h, a consternação tomou conta da equipa do Museu Marítimo de Ílhavo e da empresa ADN – que está a proceder à montagem do aquário com inauguração anunciada para breve na unidade museológica. Dentro das caixas, opacas, os peixes, com cerca de 30 centímetros e 1,5 quilos, em média, estavam completamente envoltos por blocos de gelo. “Só pode ter sido falta de cuidado da parte da carga no avião”, atirava um dos técnicos que acompanhou a operação, que devia ter culminado com a entrada dos bacalhaus nos tanques de água onde iriam ficar em quarentena até entrarem no aquário.

“Nunca aconteceu uma coisa destas. Transportamos peixes vindos da Indonésia, em viagens muito mais longas, e corre sempre tudo bem”, comentava Luís Câncio, biólogo da ADN. Resta, agora, apurar responsabilidades pela morte dos peixes, embora esta noite, no museu, toda a gente apostasse que a falha ocorreu a grande altitude, entre Oslo e Lisboa. “Os animais vivos têm de ser transportados em porões climatizados. Estes bacalhaus de certeza que vieram no porão de baixo e foram sujeitos a uns 50.º negativos”, atirava João Correia, da empresa Flying Sharks.

Uma coisa é certa: estes peixes que eram aguardados com grande expectativa já não vão povoar o futuro aquário de bacalhaus – com inauguração marcada para dia 16. Fica a promessa da Câmara de Ílhavo de fazer tudo para evitar que este revés adie os planos de abrir aquele novo equipamento ao público ainda no decorrer deste mês. “É uma desilusão, mas faremos de tudo para trazer novos bacalhaus o quanto antes”, assegurou Fernando Caçoilo, vereador da autarquia, que acompanhava a operação.

O aquário de bacalhaus foi construído no âmbito da ampliação do Museu Marítimo de Ílhavo – um investimento de 2,8 milhões de euros, financiado pelo Programa Operacional da Região Centro em 85%. O aquário, especificamente, resulta de uma parceria com o Museu Marítimo de Alesund, na Noruega. A inauguração do tanque de bacalhaus, animais que os portugueses estão habituados a ver no prato mas raramente conseguem ver com vida, deverá encerrar o programa da comemoração dos 75 anos do Museu Marítimo de Ílhavo.

Notícia corrigida às 11h01:

Corrige nome do responsável da empresa Flying Sharks.