Farmácias só garantem troca de seringas a toxicodependentes até final do ano

Associação Nacional de Farmácias já comunicou ao Governo decisão de abandonar programa lançado em 1993 para prevenir a infecção pelo VIH/sida.

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PÚBLICO

A Associação Nacional de Farmácias vai assegurar o programa de troca de seringas a toxicodependentes até Dezembro, enquanto tiver material em stock, mas, a partir daí, o Governo terá de arranjar outro parceiro para o projecto.

Em declarações aos jornalistas, no final da audição desta quarta-feira na Comissão Parlamentar de Saúde, o vice-presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF), Paulo Duarte, disse que o contrato com o Ministério da Saúde terminou na terça-feira e que a associação não está disponível para continuar a geri-lo.

“Em Agosto, comunicámos ao ministério que o contrato terminava a 27 de Novembro e que não estávamos disponíveis para continuar a assegurar a sua gestão”, afirmou.

O responsável adiantou que as farmácias têm em stock kits que darão até finais de Dezembro, altura a partir da qual deixam de gerir este programa.

“Cabe ao Ministério da Saúde definir agora o que quer para o programa. Nós não queremos continuar com a gestão diária deste programa”, disse Paulo Duarte.

As farmácias, no entanto, poderão continuar a ser o local onde é feita a troca de uma seringa usada por uma outra nova, como forma de evitar a infecção pelo VIH/sida, o grande objectivo deste projecto, lançado em 1993.

Até aqui, cabia à ANF assegurar a gestão dos kits, incluindo fazê-los chegar às organizações não-governamentais de apoio à toxicodependência e disponibilizá-los nas farmácias.

“Não lucrávamos um cêntimo com isto”, adiantou Paulo Duarte, revelando que o Ministério da Saúde deve às farmácias 600 mil euros referentes a 2012, pela sua participação no projecto.