Denise, uma voz portuguesa na greve em Espanha

No dia 14 de Novembro, Denise Ferreira vai parar. Pelo país que obriga os jovens a emigrar, porque o regresso é uma miragem, porque os jovens não têm saída

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Denise Ferreira

Denise Ferreira perdeu a esperança: de trabalhar em Portugal, de viver em Portugal, de criar os filhos em Portugal. Saiu do país há quatro anos, rumo a Barcelona, e regressar é, para já, uma “miragem”.

Ver Portugal do lado de lá da fronteira tornou-se uma obrigação – “como Portugal não me oferece qualquer possibilidade, resta-me continuar a procurar o meu caminho no estrangeiro” -, mas a jovem de 29 anos não está resignada.

No dia 14 de Novembro vai contribuir para a contabilidade da Greve Geral a partir de Barcelona, tal como no dia 15 de Setembro se juntou à multidão que gritou contra a austeridade nas ruas.

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O ministro Miguel Relvas foi um dos visados dos cartazes dos jovens DR

Há dias escreveu uma carta e enviou-a aos grupos parlamentares, ao primeiro-ministro, ao ministro da Educação, ao ministro dos Negócios Estrangeiros à presidente da Assembleia da República e ao cônsul de Portugal em Barcelona.

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Denise e o namorado participaram na manifestação do dia 15 de Setembro DR

Falta de oportunidades

Quer que se saiba que acredita na juventude portuguesa e que os jovens como ela só não vingam no seu país porque, “em Portugal, a seriedade, o esforço e a determinação não contam”, lamenta a jovem, que está neste momento a terminar um Doutoramento em Barcelona.

Aqui fala-se de corrupção, de abuso de poder, de promiscuidade. De jovens com “currículos invejáveis” a decidirem “lançar-se à sorte da emigração ou contentar-se com qualquer tipo de trabalho” porque não encontram qualquer oportunidade.

O que a revolta nem sequer é a Troika, o FMI ou um partido político em particular. “É todo um sistema político habituado a pensar que o povo é ignorante” e a “fazer leis para o seu próprio umbigo e para os dos seus familiares”.

Ainda que os cartazes sejam mais comuns em dias de manifestações, Denise Ferreira – licenciada em Engenharia Civil pela Universidade de Aveiro e mestre pela Universidade do Porto – já pensou nas palavras de ordem para o dia 14.

Entre elas, há-de estar a já mediática frase “Vai estudar Relvas”, dedicada ao ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares: “Já sei que não é original, mas não quero que se esqueça esta vergonha e gosto de ver esta frase espalhada pelo mundo.”