Miguel Coelho: entre Downing Street e a eficácia da governação

Com 32 anos, é economista no Institute for Government, uma instituição independente em Londres, destinada a melhorar a eficácia governamental

Foto
DR

Miguel Coelho é um dos participantes em programas como o LUSO, que este ano teve como tema “Potenciar Portugal”. Este evento “é uma espécie de plataforma para as pessoas se reunirem e pensarem um bocadinho sobre Portugal e de que maneira podem contribuir para o debate sobre o que se passa no país”, explica. 

Natural de Felgueiras, estudou Economia no Porto. Em 2002 partiu para Birmingham, em Inglaterra, para um mestrado e ficou para o doutoramento. Passaram 10 anos. No "timing" perfeito, quando estava a acabar o doutoramento em Políticas Públicas, soube de uma vaga para um estágio no Tesouro britânico. Concorreu e ficou. Não é dado a falsas modéstias e acredita ter sido uma combinação de sorte e mérito. 

Acabado esse projecto, “disparou candidaturas” e foi parar ao Institute for Public Policy Research, onde esteve dois anos. Mais tarde, em 2008, ingressou novamente em vários projectos, nomeadamente com o Governo britânico, incluindo a área dos "think tanks" internacionais e no n.º10 da Downing Street, residência oficial e escritório do primeiro-ministro britânico. Miguel Coelho foi "senior economist" no Governo britânico, entre Setembro de 2009 e Janeiro de 2011, nos executivos de Gordon Brown e David Cameron. “E a história tem sido sempre um bocado assim, um misto de 'networking' com um processo de recrutamento competitivo.” 

Foto
Miguel Coelho é economista no Institute for Government Googlemaps

Hoje, com 32 anos, é economista no Institute for Government, uma instituição independente e sem fins lucrativos, em Londres, destinada a melhorar a eficácia governamental. É também gestor de projectos e líder do Secretariado da Comissão de Crescimento da LSE-London School of Economics and Political Science.  

Nota-se que há assuntos que mexem consigo, como o sistema de justiça português – tema que abordou de forma pertinente, no dia anterior a esta entrevista, no LUSO 2012. Quando pergunto se já pensou em voltar para Portugal, diz que se “fez à estrada” há poucos anos mas que em Portugal o serviço de recrutamento para cargos na sua área não se baseava no mérito nem na objectividade. Ainda assim, garante que não é daqueles que diz que Portugal não lhe deu oportunidades.

“Conformado não estou, revoltar-me acho que não leva a nada positivo. Acho que é mais fácil uma pessoa ser objectiva, manter a cabeça fria, apontar as falhas do sistema de uma maneira relativamente objectiva do que vir com discursos muito emocionais sobre o assunto.” 

Independentemente de ideologias políticas, acredita que nos próximos tempos a estagnação económica em Portugal vai continuar e que a situação é tão delicada que é injusto dizer aos portugueses que o país vai regressar em 2013 aos mercados internacionais. “Já não depende de nós. O que se vai passar nos próximos anos em Portugal depende essencialmente do que se passar agora na Europa.”

No momento que em Portugal se discute se emigrar vai fazer parte do "curriculum", vale a pena ouvir a opinião de Miguel Coelho sobre a transição do mundo académico para o profissional e as dificuldades que isso acarreta para os jovens portugueses. “Aconselho que olhem para o mundo como a sua ostra. Se houver oportunidades em Portugal aproveitem-nas, mas se for necessário sair do país seja para fazer formação extra seja para ingressar no mercado de trabalho, façam-no. Acho que as pessoas têm de ter consciência da realidade económica do país neste momento.” 

Sugerir correcção
Comentar