Equidade na partição dos sacrifícios ainda está por demonstrar

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Paulo Rangel considera que o federalismo é, no actual quadro da União Europeia, "uma necessidade"

Paulo Rangel, eurodeputado do PSD, defende um recuo nas alterações à TSU, afirma que os "interesses instalados" têm de ser convocados para os sacrifícios e reclama mais acção do Governo na política europeia

Numa entrevista realizada antes da reunião do Conselho de Estado, Paulo Rangel faz a leitura do momento político e, se se abstém de participar no coro generalizado de críticas ao Governo, não deixa de fazer reparos às alterações na TSU, na repartição dos sacrifícios ou na actuação na frente europeia. Nesta entrevista, não deixa de manifestar o seu desagrado sobre a forma como a candidatura de Luís Filipe Menezes à Câmara do Porto foi gerida.

Foi à manifestação de 15 de Setembro?

Não, não fui.

Nem pensou ir?

Não, não pensei ir. Não foi uma coisa que me atravessasse o espírito, não tinha uma contestação ao Governo para expressar.

A manifestação foi apenas uma contestação ao Governo?

Eu acho que a manifestação está muito para lá da contestação ao Governo. E nesse sentido não foi para mim uma surpresa, já que tinha começado a notar-se um mal-estar em relação à TSU, um pacote que, esse sim, foi uma surpresa. Agora, a profunda inquietação democrática dos portugueses, a ideia de que eles não estão bem com a sua democracia, isso para mim não foi surpresa nenhuma. Já há muito tempo que eu venho a dizer e a escrever que o país estava a precisar de uma ruptura. Aliás, a minha campanha interna para o PSD em 2010 tinha como lema a ruptura, o lema de libertar o futuro, de libertar o país da dívida. O nosso modelo proporcional está próximo da exaustão. Julgo que esta inquietação democrática tem a ver com isso.

Qual foi o principal factor da mobilização: a troika e a austeridade ou a dimensão ética e política das alterações na TSU?

Eu até acho que é uma coisa mais profunda. É uma certa insatisfação com a política em geral e com a classe política. Claro que isso também diz alguma coisa sobre os portugueses, que são passivos na sua prática democrática diária. Eles também são cúmplices, de alguma maneira, dos defeitos do regime. No fundo, cada país tem os regimes que merece. Os portugueses indignam-se de quando em vez, mas demitem-se da sua participação diária muitas vezes.

O que é que eles poderiam ter feito no avolumar da crise?

Olhe, poderiam não ter caído na ilusão do eng.º Sócrates em 2009. Que tenham caído em 2005, acho normal; que caíssem em 2009 não acho. As pessoas já tinham muito a noção de que viviam a crédito, já tinham experiência democrática suficiente para perceberem tudo o que estava em jogo. Há aqui uma demissão e há todos os dias uma demissão, por exemplo quando não exigimos facturas nos difer