Direitos de TV centralizados no futebol valem 120 milhões de euros

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Só em Espanha e em Portugal não há direitos centralizados Foto: Nelson Garrido

O estudo apresenta três hipóteses para 2013. Num cenário de baixa, os direitos de TV valeriam 83 milhões de euros; num cenário-base, o valor sobe para 120 M; e num cenário de alta chegaria mesmo aos 142 milhões, sendo em que qualquer um deles a maior parte da receita seria proporcionada pela venda dos jogos para transmissão em canal fechado – em 2017, o valor poderia atingir os 165 milhões.

Se a venda centralizada de direitos de TV fosse implementada em Portugal (tal como acontece em boa parte dos países europeus, à excepção de Espanha), os maiores beneficiados seriam os pequenos e médios clubes. O estudo encomendado pela Liga adianta que se os direitos fossem vendidos por 142 milhões de euros por época, e se toda a receita fosse distribuída pelos clubes, os três "grandes" receberiam no seu conjunto cerca de 40 milhões de euros, pouco mais do que os 32 que encaixam actualmente e que representa mais de metade da receita.

Estas estimativas foram feitas com base nos critérios que são seguidos nas principais ligas europeias, em que uma parte da receita é distribuída de forma igual para todos e outra parte é definida segundo critérios como as classificações na(s) época(s) anterior(es), o número de adeptos de cada clube e as audiências televisivisas ou número de jogos na TV.

O estudo faz ainda uma avaliação dos jogos em canal aberto, estimando que valham seis a sete milhões de euros, menos do que os nove milhões anuais que a TVI pagou nas últimas temporadas.

Além da centralização da venda dos jogos, outro factor referido como fundamental para potenciar as receitas geradas pelos direitos televisivos é a concorrência entre canais pagos. O estudo identifica um mercado pouco concorrencial em Portugal, dominado pela Olivedesportos, grupo que detém os direitos de TV e tem uma participação na Sport TV, canal que emite os encontros. "Contratos de direitos recentes em outros mercados europeus demonstram a ligação entre uma forte concorrência entre plataformas pelos direitos e um aumento do valor total", lê-se no estudo, que conclui que "na actual estrutura do mercado, os direitos da Liga continuarão a ser subavaliados".

O presidente da Liga, Mário Figueiredo, já manifestou a intenção de centralizar os direitos de TV, ameaçando apresentar uma queixa na Comissão Europeia caso não seja possível chegar a um acordo com a Olivedesportos.