Espanha

Estas são as primeiras pinturas rupestres da Galiza

Imagem das pinturas rupestres
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Imagem das pinturas rupestres DR/Universidade de Santiago de Compostela

Sempre que aparecem gravuras rupestres em Espanha, a associação a Altamira ou a Atapuerca é imediata, mesmo que sejam muitas e grandes as diferenças entre elas. Foi o que aconteceu agora na gruta de Eirós, perto da Aldeia de Cancelo, na Galiza, noticiou o diário espanhol El País.

Já no quarto ano de trabalhos, a equipa de investigadores da Universidade de Santiago de Compostela, liderada por Ramón Fábregas, catedrático de Pré-História, acaba de descobrir pinturas rupestres com representações de animais que, a avaliar pelo estilo e pela técnica, deverão ter sido feitas há 30 mil anos. Para verificar esta hipótese, serão agora submetidas a análises de carbono 14.

Diz o diário espanhol que são as primeiras pinturas rupestres encontradas nesta comunidade autónoma espanhola. Segundo a equipa, “Eirós tem mesmo a primeira manifestação de arte rupestre do noroeste peninsular”, o que é para os investigadores particularmente importante porque “preenche um vazio”, lembrando que “os paralelos mais próximos estão nas representações ao ar livre dos vales fluviais do Côa e do Sabor, no norte de Portugal”, e numa série de grutas nas Astúrias.

Os primeiros indícios de que se encontrava ali uma gruta, e que provavelmente teria sido ocupada, surgiram na campanha do ano passado. O que os arqueólogos acabaram por encontrar foi uma série de gravuras e pinturas a negro, usando carvão vegetal. No painel principal, explicaram ao diário espanhol, há uma série de animais incompletos e, na parte inferior da parede, linhas de pontos e marcas que procuram tirar proveito das formas da rocha para criar outras figuras zoomórficas, algo muito comum na arte do paleolítico.

“Agora há que estudar a descoberta, continuar as escavações e valorizá-las, mas isso vai demorar alguns anos”, disse ao País outro arqueólogo da região, Enrique Alkorta.

Desde 2008, estes trabalhos arqueológicos já permitiram recuperar mais de 4000 peças, restos animais e ferramentas do homem do paleolítico, com idades compreendidas entre os 35 e os 85 mil anos.